quinta-feira, 30 de junho de 2011

Vilão, Vítima, Amante (continuação)

No início de muitos relacionamentos chamados românticos, a interpretação de papéis é bastante comum no sentido de atrair e manter a pessoa que é percebida pelo ego como aquela que fará o indivíduo feliz, especial e satisfará todas as suas necessidades. “Eu interpreto quem você quer que eu seja, enquanto você representa quem eu desejo que você seja”. Esse é um acordo implícito e inconsciente. No entanto, a interpretação de papéis é um trabalho árduo que as pessoas não conseguem sustentar por um tempo indefinido, sobretudo depois que começam a viver juntas. O que vemos quando esses papéis se acabam?  Na maioria dos casos, ainda não a verdadeira essência do ser, mas aquilo que a encobre: o ego em estado natural, despido dos disfarces, com os sofrimentos que traz do passado e seu querer talvez insatisfeito, que agora se transforma em raiva, provavelmente direcionada ao parceiro ou à parceira por ter deixado de remover o medo subjacente e o sentimento de insatisfação que é uma parte intrínseca da percepção egóica do eu.
Na maior parte das vezes, aquilo que costumamos chamar de “apaixonar-se” é uma intensificação do desejo e da necessidade do ego. Ficamos viciados na outra pessoa ou na sua imagem. Isso não tem nada a ver com o verdadeiro amor, que implica não querer nada. A língua espanhola é a mais honesta com relação às noções convencionais do amor: te quiero significa tanto “quero você” quanto “te amo”. A expressão “te amo”, que não tem essa ambigüidade, dificilmente é usada - talvez porque o verdadeiro amor seja de fato muito raro.

Extraído do livro de Eckhart Tolle, Um  Mundo Novo, página 81, Editora Sextante

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vilão, Vítima, Amante (continuação)

Um papel muito comum é o de vítima, e a forma de atenção que o ego busca é a solidariedade, a piedade ou o interesse dos outros pelos “meus” problemas, por “mim e minha história”. Ver-se como vítima é um componente de muitos padrões egóicos, como queixar-se, sentir-se ofendido, ultrajado, e assim por diante. É claro que, depois que uma pessoa se identifica com uma história em que assume o papel da vítima, ela não quer que isso termine, e assim, como muitas terapeutas sabem, o ego não deseja o fim de seus “problemas” porque eles fazem parte da sua identidade. Se ninguém deseja escutar sua triste história, a sua pessoa pode contá-la mentalmente para si mesma quantas vezes tiver vontade e sentir pena de si própria. Dessa forma, sua identidade será a de alguém que não está sendo tratado com justiça pela vida, por outros indivíduos, pelo destino ou por Deus. Essa atitude define a imagem que ela faz de si mesma, torna - se alguém - e isso é tudo que importa ao ego.

Texto extraído do livro de Eckhart Tolle, Um Mundo Novo, página 81, Editora

domingo, 19 de junho de 2011

Vilão, Vítima, Amante

Quando não conseguem obter elogios nem admiração, alguns egos procuram outras formas de chamar a atenção ou interpretam papéis para consegui-la. Caso não obtenham atenção positiva, podem buscar atenção negativa – por exemplo, provocando  uma reação desagradável em alguém. Há inclusive casos de crianças que fazem isso. Elas adotam um mau comportamento para se fazer notar. A interpretação de papéis negativos torna-se particularmente acentuada quando o ego é intensificado por um sofrimento emocional do passado que deseja renovar com uma experiência diferente. Alguns egos cometem crimes na sua busca pela fama. Eles procuram atenção pela notoriedade e da condenação por parte das pessoas. "Por favor me diga que existo, que não sou insignificante” parece ser sua mensagem. Essas formas patológicas do ego apenas  são apenas versões mais extremas dos egos normais.

Texto extraído do livro de Eckhart Tolle, Um Mundo Novo, página 80, Editora Sextante

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Interpretação de papéis: as muitas faces do ego

Uma pessoa tímida que tem medo da atenção dos outros não está livre do ego - nesse caso, o ego é ambivalente, pois tanto quer quanto teme a atenção externa. O temor é que a atenção possa tomar a forma de desaprovação ou crítica, isto é, algo que diminua a percepção do eu em vez de aumentá-la. Portanto, o medo que a pessoa tímida tem da atenção é maior do que a necessidade que tem dela. A timidez costuma ser acompanhada de uma auto-imagem predominantemente negativa, a crença de ser inadequado. Qualquer percepção conceitual do eu – ver a si mesmo como isso ou aquilo, seja ela favorável (eu sou maior) ou desfavorável (não sou bom). Por trás de toda auto-imagem positiva há o medo de não ser bom o bastante. Por trás de toda auto-imagem negativa está o desejo de ser maior ou melhor que os outros. Oculto pelo confiante e contínuo sentimento de superioridade do ego encontra-se o medo inconsciente de ser inferior. De modo inverso, o ego tímido, que se sente inapropriado e menor, tem um forte desejo camuflado de superioridade, dependendo da situação e dos indivíduos com quem entram em contato. Tudo o que devemos saber e observar em nós mesmos são isto: sempre que nos sentirmos superiores ou inferiores a alguém, isso é o ego em ação.


Texto extraído do livro Um mundo Novo de Eckhart Tolle, página 79, Editora Sextante