Funcionamos sempre dentro do domínio do conhecido, e o conhecimento está acompanhado pela ignorância, porque não há completo conhecimento acerca de nada.
J. Krishnamurti.
"Minha vida foi singularmente pobre em acontecimentos exteriores. Sobre estes não posso dizer muito, pois se me afiguram ocos e desprovidos de consistência. Eu só me posso compreender à luz dos acontecimentos interiores. São estes que constituem a peculiaridade de minha vida e é deles que trata minha autobiografia."
Carl Gustav Jung
Tenha atenção a qualquer sinal de infelicidade dentro de si mesmo, sob qualquer forma: pode ser o corpo de dor a despertar. Esta situação pode assumir a forma de irritação, impaciência, humor sombrio, um desejo de magoar, raiva, ira, depressão, uma necessidade de haver algum dramatismo no seu relacionamento, etc. Impeça esta situação no momento em que desperta do seu estado adormecido.
O corpo de dor quer sobreviver, tal como qualquer outra entidade que exista, só podendo fazê-lo se conseguir que você se identifique com ele de maneira inconsciente. Depois pode surgir, controlar você, «tornar-se» você e viver através de si.
Precisa de conseguir o seu «alimento» através de você. Alimentar-se-á de qualquer experiência que ecoe o seu próprio género de energia, qualquer coisa que gere mais dor sob qualquer forma: raiva, destruição, ódio, pesar, dramatismo emocional, violência e até doença. Assim, o corpo de dor, depois de se apoderar de você, criará uma situação na sua vida que reflete a própria frequência energética para se alimentar dela. A dor só pode alimentar-se da dor. A dor não pode alimentar-se da alegria. Considere-a bastante indigesta.
Eckhart Tolle
A Prática do Poder do Agora
ps: o corpo de dor é um campo energético criado pelo acúmulo de emoções negativas, que quer se estabelecer como "identidade", confundindo-se com o próprio ego.
Eckhart Tolle
A impermanência não é uma ideia, não é uma noção, mas antes uma visão que penetra [na realidade].
Muitos de nós tentam desesperadamente agarrar-se a uma qualquer noção de estabilidade ou permanência.
Ficamos ansiosos quando ouvimos os ensinamentos sobre a impermanência.
Mas a impermanência não é totalmente negativa, ela pode ser também positiva.
Todas as coisas são impermanentes, incluindo a injustiça, a pobreza, a poluição e o aquecimento global.
Na nossa vida existe o desentendimento, a violência, o conflito, o desespero, mas todas estas coisas são, também elas, impermanentes, e como tal podem ser transformadas se tivermos a visão penetrante de como viver no momento presente.
Thich Nhat Hanh.
Quando o ego está em guerra, saiba que isso não passa de uma ilusão que está lutando para sobreviver. Essa ilusão pensa ser nós. A princípio, não é fácil estarmos lá como testemunhas, no estado de presença, sobretudo quando o ego se encontra nessa situação ou quando um padrão emocional do passado é ativado. No entanto, depois que sentimos o gosto dessa experiência, nosso poder de atingir o estado de presença começa a crescer e o ego perde o domínio que tem sobre nós. E, assim, chega à nossa vida um poder que é muito maior do que o ego, maior do que a mente. Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis. A consciência é o poder oculto dentro do momento presente. É por isso que podemos chamá-la de presença. O propósito supremo da existência humana, isto é, de cada um de nós, é trazer esse poder ao mundo. E é também por isso que nossa libertação do ego não pode ser transformada numa meta a ser atingida em algum ponto no futuro. Somente a presença é capaz de nos libertar dele, pois só podemos estar presentes agora – e não ontem nem amanhã. Apenas ela consegue desfazer o passado em nós e assim transformar nosso estado de consciência.
Eckhart Tolle
Ter sensitividade significa estar consciente do que acontece a nós, e não necessariamente do que acontece ao redor de nós. Em geral somos sensíveis ao que estamos expostos normalmente, ao mundo externo. Assim, por exemplo, ouvimos tudo claramente, e, se apenas cai uma colher, a meditação é perturbada. Porém, à medida que a atenção se interioriza, a sensitividade à realidade interior aumenta, e nenhum barulho nos perturba mais. De modo que a sensitividade é boa, mas causará problemas se persistirmos apegados ao mundo externo.
Quando eu comecei a meditar, muitas coisas me perturbavam. Uma colher que caía parecia uma explosão. Eu ficava irritado, me levantava e ia embora. Na Índia isso é comum! Só que, desse modo, se perde a meditação. Então perguntei a Babuji: «O que devo fazer?» E Ele disse: «Ignore isso tudo».
Porém, o problema é que, por um lado ficamos mais sensitivos, e, por outro, devemos ignorar tudo. Como é possível? Quando ficamos mais atentos ao que está dentro de nós.
Tenha interesse! Interesse na vida interna. Eu notei que quando fui capaz de voltar a minha atenção para dentro, a sensitividade se desenvolvia mais rapidamente. E, à medida que a sensitividade aumentava, a atração pela vida interior aumentava.
E descobri o terceiro estágio: sempre que eu estava absorvido interiormente, também ficava mais consciente do que acontecia exteriormente, o que é preciso. Essa é a definição do sahaj samadhi. O notável era que, embora permanecendo sensível ao exterior, eu estava mais sensível ao interior. E então, o que eu ouvisse lá fora não me perturbava mais.
Quando nos aprofundamos cada vez mais na vida interior, essas perturbações, na verdade, nos ajudam a nos aprofundar mais.
Então descobri o que talvez seja o último estágio: de que esses barulhos geram uma espécie de milagre. É quando começamos a olhar o mundo exterior numa espécie de admiração. E o meu Mestre Babuji dizia que esse é o começo da condição divina. Sem curiosidade, sem indulgência, sem a presença do prazer, mas apenas num senso de admiração, de que tudo evoca a nossa admiração, porque tudo é a Criação de Deus.
De modo que, ao invés de nos perturbarmos, agora olhamos tudo com admiração. É o que se denomina de estado de inocência original, no qual tudo gera admiração. Não há mais perturbação, nem aborrecimento, nem cobiça. Tudo o que vemos é maravilhoso. Dizem que é a condição com que Deus olha, de dentro de você, a Sua própria Criação, e se admira: «Eu criei tantas coisas belas?» O Gita diz que o único sentido que permanece na pessoa que chegou à perfeição espiritual, é o senso de admiração.
Os sistemas de alarme contra fumaça muitas vezes são sensíveis demais, e então são desligados, porque quando as pessoas fumam, esses sistemas desencadeiam o alarme. Contudo, a sensitividade não deve ser desligada. Ao contrário, nós temos que refiná-la sempre, a fim de aperfeiçoá-la. Na viagem espiritual, volte-a para dentro.
Antigamente, a Estrela Polar era importante na navegação para fixar o Norte. Nós necessitamos de um objeto no qual ligamos a nossa sensitividade, a fim de fixar o nosso rumo. E as coisas externas que desviam a nossa atenção momentaneamente, ao invés de nos perturbar, nos ajudarão a corrigir o nosso caminho para chegarmos mais rapidamente à destinação.
É isso.
(Trechos de De Coração a Coração, vol. III)
A chuva que caí em solo ressecado é uma coisa maravilhosa.
Lava as folhas, refresca e renova a terra.
E eu acho que todos deveríamos "lavar”, purificar nossa mente, da mesma maneira como as árvores são lavadas pela chuva, tão pesada que está da poeira de muitos séculos, dessa poeira que chamamos "conhecimento”, "experiência”.
Se vós e eu fizéssemos todos os dias uma "limpeza” em nossa mente, livrando-a das reminiscências de ontem, cada um de nós possuiria uma mente nova, uma mente capaz de enfrentar os numerosos problemas da existência.
J. Krishnamurti.
Um outro aspecto do sofrimento emocional é uma profunda sensação de falta, de incompletude, de não se sentir inteiro. Em algumas pessoas isso é consciente, em outras, não. Quando está consciente, a pessoa tem uma sensação inquietante de que não é respeitada ou boa o bastante. Na forma inconsciente, essa sensação se manifesta indiretamente como um anseio, uma necessidade ou uma carência intensa.
Em ambos os casos, as pessoas podem acabar buscando compulsivamente uma forma de gratificar o ego e preencher o buraco que sentem por dentro. Assim, empenham-se em possuir propriedades, dinheiro, sucesso, poder, reconhecimento ou um relacionamento especial, para se sentirem melhor e mais completas. Porém, mesmo quando conseguem todas essas coisas, percebem que o buraco ainda está ali e não tem fundo.
As pessoas veem, então, que estão realmente em apuros, porque não podem mais se enganar. Na verdade, elas continuam tentando agir como antes, mas isso se torna cada vez mais difícil.
Enquanto o ego dirige a nossa vida, não conseguimos nos sentir à vontade, em paz ou completos, exceto por breves períodos, quando acabamos de ter um desejo satisfeito. O ego precisa de alimento e proteção o tempo todo. Tem necessidade de se identificar com coisas externas, como propriedades, status social, trabalho, educação, aparência física, habilidades especiais, relacionamentos, história pessoal e familiar, ideais políticos e crenças religiosas. Só que nada disso é você.
Levou um susto? Ou sentiu um enorme alívio?
Mais cedo ou mais tarde, você vai ter que abrir mão de todas essas coisas. Pode ser difícil de acreditar, e eu não estou aqui pedindo a você que acredite que a sua identidade não está em nenhuma dessas coisas. Você vai conhecer por si mesmo a verdade, lá no fim, quando sentir a morte se aproximar. Morte significa um dnespojar-se de tudo o que não é você. O segredo da vida é “Morrer antes que você morra” e descobrir que não existe morte.
Eckhart Tolle - Trecho do livro “O Poder Do Agora”
Existem muitas formas sutis de ego que, mesmo sendo tênues, podemos observar com facilidade nas pessoas e, mais importante, em nós. Lembre-se: no momento em que nos tornamos conscientes do nosso ego, essa consciência emergente é quem somos além do ego, o "eu" profundo. O reconhecimento do falso já é o surgimento do real.
Por exemplo, imagine que você está prestes a contar uma novidade a alguém. "Já sabe o que aconteceu? Não? Vou lhe dizer."
Se estiver alerta o suficiente, no pleno estado de presença, será capaz de detectar um rápido sentimento de satisfação dentro de si imediatamente antes de dar a notícia, até mesmo se ela for má. Isso ocorre porque, por um breve momento, existe, aos olhos do ego, um desequilíbrio a seu favor na relação entre você e a outra pessoa. Durante esse instante, você sabe mais do que ela. Essa satisfação provém do ego e ela surge porque sua percepção do eu é mais forte em comparação com a outra pessoa. Ainda que o interlocutor seja o presidente ou o papa, você se sente superior a ele naquele momento porque sabe mais. Esse é um dos motivos que fazem com que muita gente se vicie em fofoca. Além disso, a fofoca costuma carregar um elemento de crítica e julgamento malicioso dos outros. Dessa forma, também fortalece o ego por meio da superioridade moral imaginada, que fica implícita em toda apreciação negativa que fazemos de alguém.
Se uma pessoa tem mais, sabe mais ou pode fazer mais do que nós, o ego se sente ameaçado porque o sentimento de "menos" diminui sua percepção imaginada do eu em relação a ela. Assim, ele pode tentar se recuperar procurando, de algum modo, criticar, reduzir ou menosprezar o valor das capacidades, dos bens ou dos conhecimentos desse indivíduo. Ou pode mudar de estratégia: em vez de competir, vai se valorizar por meio da associação com essa pessoa, caso ela seja considerada importante aos olhos dos outros.
Eckhart Tolle - O Despertar de Uma Nova Consciência
Só quando mantém a calma e o silêncio em seu interior é que você pode alcançar a região de calma e silêncio onde vivem as pedras, as plantas e os animais. Só quando o barulho de sua mente silencia você se torna capaz de ligar-se à natureza num nível profundo e ultrapassar a sensação de separação causada pelo excesso de pensamento.
Pensar é um estágio da evolução da vida. A natureza existe numa calma inocente que antecede o surgimento do pensar. A árvore, a flor, o pássaro e a pedra não tem noção de sua beleza e de seu caráter sagrado. Quando os seres humanos conquistam a calma, eles vão além do pensamento. Na calma e no silêncio há uma dimensão adicional de conhecimento e de percepção que fica além do pensamento.
A natureza pode levar você à calma interior. É um presente dela. Quando você sente a calma da natureza e participa dela, essa calma fica permeada e enriquecida pela sua atenção. Esse é o seu presente para a natureza.
Através de você, a natureza toma consciência de si mesma. A natureza tal como é esperou milhões de anos por você.
Eckhart Tolle - O Poder Do Silêncio
Se o aspirante estiver disposto a procurá-las, encontrará as atividades secretas do ego nos recantos mais insuspeitados, até mesmo no meio das suas mais grandiosas aspirações espirituais. O ego não quer desaparecer, e até dará as boas vindas a essa grande redução do seu campo de ação, se for esse o único meio de escapar de sua morte. Visto que, necessariamente, o ego é o agente ativo nessas tentativas de auto-aperfeiçoamento, será ele então que melhor estará na posição para se assegurar de que elas terminem numa aparente vitória sobre si mesmo, mas que não será uma vitória real. Esta, só poderá ser alcançada ao se confrontá-lo diretamente e, sob a inspiração da Graça Divina, aniquilá-lo de forma direta; isso será algo completamente diferente de confrontar e eliminar qualquer uma das inúmeras e variadas expressões de fraquezas e faltas que ele apresenta. De modo algum são elas a mesma coisa. Tudo isso são extensões dele, mas o ego é que é a raiz de tudo.
Por isso, quando o aspirante se cansa dessa interminável batalha do Caminho Longo (as intermináveis confrontações com as suas limitações e falhas), batalha essa do eu com sua própria natureza inferior, a qual, mal uma manifestação dela seja vencida, já reaparece ela em outra. Também, quando esse aspirante cansa de enganar a si mesmo, pensando estar vivendo exultantes realizações dentro do Caminho Breve (o Caminho Direto – onde ele se volta somente para o Propósito, para o Eu Superior, sem mais pôr a atenção em tais extensões do Caminho Longo), ele estará pronto para tentar o último e definitivo recurso. Aqui, após um prolongado tempo, o aspirante finalmente chega ao cerne do ego, no evento da completa rendição deste, onde não dará mais realidade aos seus inumeráveis subterfúgios – os quais podem ser feios, como a inveja, ou atraentes, como a virtude.
Por Paul Brunton, em Notebook 4, Capítulo 4