segunda-feira, 26 de março de 2012

Carregando o passado

O passado vive em nós na forma de lembranças, no entanto elas em si mesmas não são problema. Na verdade, é por meio delas que aprendemos com nossas experiências e com erros que cometemos. Somente quando as recordações, isto é, os pensamentos sobre o passado, nos dominam completamente é que se transformam num fardo, começam a ser problemáticas e fazer parte do que entendemos como o eu. Nossa personalidade, que é condicionada pelo passado, se torna nossa prisão. Essas memórias são investidas de uma percepção do eu, e nossa história usa a se percepção que temos de nós mesmos. Esse “pequeno eu” é uma ilusão que obscurece nossa verdadeira identidade como presença eterna e sem forma.
Nossa história, porém, é formada por lembranças mentais e emocionais-emoções antigas que são revividas continuamente... a maioria  das pessoas leva consigo uma grande quantidade de bagagem desnecessária, tanto mental quanto emocional, ao longo de toda vida. Esses indivíduos se limitam com ressentimentos, arrependimentos, hostilidade, e culpa. Seu pensamento emocional se torna seu eu e, assim, eles se apegam a velhas emoções porque estas fortalecem sua identidade.
Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores  emocionais, que eu chamo de “corpo de dor”.
Texto extraído do livro Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle, página124, editora Sextante

segunda-feira, 19 de março de 2012

As emoções e o ego (continuação)


As emoções positivas geradas pelo ego já contêm seu próprio oposto no qual podem rapidamente se converter. Alguns exemplos: o que o ego chama de amor é possessividade e apego dependente, que podem se transformar em ódio em questão de segundos. A expectativa em relação a um acontecimento, que é a supervalorização do futuro por parte do ego, transforma-se no oposto – abatimento ou decepção-quando aquilo termina ou não satisfaz as expectativas do ego. Sermos elogiados e reconhecidos nos faz sentir vivos e felizes num dia, enquanto sermos criticados ou ignorados nos faz sentir rejeitado e infeliz no dia seguinte. O prazer de uma festa animada transforma-se em ressaca e em algo desinteressante na manhã seguinte. Não existe bom sem mau nem alto sem baixo.
As emoções produzidas pelo ego decorrem da identificação da mente com fatores externos que são, é claro, instáveis e sujeitos a mudanças a qualquer momento. As emoções mais profundas não são emoções de maneira nenhuma, e sim estados do Ser. Elas existem dentro do âmbito dos opostos. Os estados do Ser podem ser  obscurecidos,porém não têm opostos.Eles emanam, de dentro de nós, com  o amor, a alegria e a paz, que são aspectos da nossa verdadeira natureza.

Texto extraído do livro Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle, editora Sextante, página 122

sexta-feira, 9 de março de 2012

As emoções e o ego (continuação)

O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso. Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja – tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante. Até mesmo a medicina tradicional, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca encontramos. Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: infelicidade.
Será que as emoções positivas têm o efeito oposto sobre o corpo físico? Será que fortalecem o sistema imunológico, revigoram e curam o corpo?S im, com certeza, mas precisamos diferenciar as emoções positivas que são produzidas pelo ego das emoções mais profundas que emanam do nosso estado natural de ligação com o Ser.
Texto extraído do livro Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle,editora Sextante, página 121

sexta-feira, 2 de março de 2012

As emoções e o ego (continuação)


O componente emocional do ego difere de pessoa para pessoa. Em alguns casos, é maior do que em outros. Os pensamentos que fazem o corpo disparar reações emocionais algumas vezes aparecem tão rápido que, antes de a mente ter tempo de expressá-los, o corpo reage com emoção,e esta é convertida numa reação. Esses pensamentos existem num estágio pré verbal  e podem ser chamados pressupostos não expressos, inconscientes. Eles se originam num condicionamento pessoal do passado, normalmente ocorrido na tenra infância. "Não se pode confiar nas pessoas" seria um exemplo desse pressuposto inconsciente numa pessoa cujos relacionamentos primordiais, isto é, com os pais ou irmãos, não foram de solidariedade e não inspiram confiança. Mais alguns deles: "Ninguém me respeita nem me valoriza. Preciso lutar para sobreviver. O dinheiro nunca é  suficiente. A vida sempre nos decepciona. Não mereço a prosperidade. Não sou digno do amor”. Essas suposições inconscientes criam emoções no corpo que, por sua vez, geram atividade mental e/ou reações instantâneas. Dessa maneira, elas criam sua realidade pessoal.
A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem estar do ser. Quase todo o corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo - a ameaça vem da mente. Há um ego vinculado ao corpo, que não pode fazer nada a não ser reagir a todos os padrões desajustados de pensamento que constituem o ego. Assim, um fluxo de emoções negativas acompanha o fluxo do pensamento incessante e compulsivo.
Texto extraído do livro Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle, Editora Sextante, página121