segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O trabalho - com e sem a influência do ego

A maioria das pessoas tem momentos livres da interferência do ego. As que são excepcionais no que fazem podem permanecer completamente ou em grande parte livres dele enquanto executam o trabalho. Talvez elas não saibam disso, mas sua atividade se tornou uma prática espiritual. A maior parte delas se mantém no estado de presença enquanto trabalha e se retrai numa inconsciência relativa na vida privada. Isso significa que seu estado de presença ocorre durante o tempo que é destinado a uma área específica da sua vida. Conheci professores, artistas, enfermeiros, médicos, cientistas, assistentes sociais que realizam seu trabalho de modo admirável e sem nenhuma busca pessoal, respondendo a qualquer coisa que o momento exija. Eles se tornam um só com o que fazem, com o Agora, com as pessoas e com a tarefa que executam. Sua influência sobre os outros supera a função que desempenham. Ocorre uma suavização do ego em todos com quem entram em contato. Algumas vezes, até mesmo indivíduos com um ego muito forte relaxam, baixam a guarda  e param de interpretar seu papel quando interagem com essas pessoas. Não surpreende que elas sejam extraordinariamente bem sucedidas no que fazem. Qualquer um que alcance a unificação com seu trabalho está  construindo uma nova Terra.
Conheci também muitos outros profissionais que podem ser tecnicamente bons no que fazem, mas cujo ego sabota seu desempenho de forma constante. Apenas parte de sua atenção é fixada no trabalho que realizam; a outra parte é voltada para si mesmos. Seu ego exige o reconhecimento pessoal e desperdiça energia com o ressentimento quando não obtém o suficiente - e nunca é o bastante.

Texto extraído do livro Um mundo Novo, de Eckhart Tolle, página 109, editora Sextante

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Formas patológicas do ego (continuação)

Entre aqueles que apresentam um alto grau de inconsciência, as discussões podem causar a violência com a maior facilidade. O que é uma discussão? É a exposição de opiniões diferentes entre duas ou mais pessoas. Cada uma delas está tão identificada com os pensamentos que constituem seu ponto de vista que essas formas de pensar se cristalizam em posições mentais que são investidas de uma percepção do eu. Em outras palavras: a identidade e o pensamento se fundem. Quando isso acontece, isto é, sempre que estamos defendendo nossas opiniões (pensamentos), sentimos e agimos como se estivéssemos protegendo nosso próprio eu. Inconscientemente, é como se estivéssemos travando uma luta pela sobrevivência e, assim, nossas emoções refletem essa crença. Elas se tornam turbulentas. Ficamos perturbados, irados, na defensiva ou agressivos. Precisamos vencer a qualquer custo ou seremos aniquilados. Essa é a ilusão. O ego não sabe que a mente e as posições mentais não tem nada a ver com quem nós somos porque ele é a própria mente não observada.
No zen se costuma dizer: ”Não busque a verdade. Apenas pare de cultivar opiniões”. O que isso significa? Deixe de lado a identificação com a mente. Assim, quem você é além da mente emergirá por si mesmo.
Texto extraído do livro Um Mundo Novo de Eckhart Tolle, página 109, editora Sextante

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Formas patológicas do ego

…O medo e a desconfiança que o ego tem das pessoas, sua tendência a enfatizar a alteridade concentrando-se nas falhas e tornando-as a identidade do outro, ganham uma proporção maior e transformam todos em monstros desumanos. O ego precisa das pessoas, porém seu dilema é que no fundo ele as odeia e as teme. A afirmação de Jean-Paul Sartre “O inferno são os outros” é a voz do ego. Quem sofre de paranóia sente o inferno de maneira mais aguda; no entanto, todos aqueles que apresentam padrões egóicos ativos sentem-no num grau qualquer de intensidade. Quanto mais forte o ego, maior probabilidade de vermos as pessoas como a principal fonte dos nossos problemas. Há também uma grande chance de que tornemos a vida difícil para os outros. Mas, é claro, não somos capazes de perceber isso. Sempre são eles que parecem estar nos fazendo mal.
Quanto mais inconscientes estiverem as pessoas, os grupos e os países, maior probabilidade de que a patologia egóica assuma a forma de violência física. A violência é um recurso primitivo e ainda muito disseminado que o ego usa para tentar se afirmar, para provar a si mesmo que ele está certo e o outro, errado....

Texto extraído do livro Um Mundo Novo, de Ekchart Tolle, página 107, Editora Sextante

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Segredo da Felicidade (continuação)

Para darmos fim ao sofrimento que vem afligindo a condição humana há milhares de anos, precisamos começar por nós mesmos e assumir a responsabilidade por nosso estado interior em qualquer momento. Isso quer dizer agora. Portanto, pergunte-se: ”Estou dando mostras de negativismo neste exato instante?”.
Depois fique alerta, preste atenção nos pensamentos e nas suas emoções. Observe as formas de infelicidade que se manifestam em graus menos elevados, como aquelas que mencionei anteriormente - descontentamento, irritação, saturação, etc. Atente para os pensamentos que parecem justificar ou explicar esta infelicidade, mas que, na verdade, são seus causadores. Caso você tome consciência de um estado negativo dentro de si mesmo, isso não significa um fracasso da sua parte. Ao contrário, mostra que obteve sucesso.Enquanto a consciência não se manifesta, existe identificação com os estados internos - e essa identificação é o ego. Com a consciência vem o abandono da identificação com os pensamentos, as emoções e as reações.No entanto,esse processo não deve ser confundido com negação. Os pensamentos, as emoções e as reações são reconhecidos e no momento em que são detectados, o fim da identificação  se dá de forma automática. Nossa percepção do eu, ou seja, de quem somos, passa então por uma mudança: diante de nós estão os pensamentos, as emoções e as reações, e agora nós somos a consciência a presença consciente que testemunha esses estados.”
”Um dia vou me libertar do ego”. Quem está falando? O ego. Libertar-se dele não é verdadeiramente um grande trabalho, mas uma tarefa muito pequena. Basta estarmos conscientes dos nossos pensamentos e das nossas emoções à medida que eles vão surgindo. Não se trata “fazer”, e sim de “ver”com atenção.Nesse sentido, é verdade que não há nada que possamos fazer para nos libertar do ego. Quando essa mudança acontece, ou seja, quando passamos do pensamento para a consciência, uma inteligência muito maior do que a esperteza do ego começa a agir na nossa vida. As emoções e até mesmo os pensamentos são despersonalizados pela consciência. A natureza impessoal de ambos é reconhecida. O eu deixa de existir neles. São apenas emoções e pensamentos humanos. Toda a nossa história pessoal,que,em última análise, não passa mesmo de uma história, de um amontoado de pensamentos e emoções, adquire uma importância secundária e não ocupa mais o primeiro plano da nossa consciência. Ela deixa de formar a base para nosso sentido de identidade. Nós somos a luz da presença, consciência de que somos importantes e mais profundos do que quaisquer pensamentos e emoções.
Texto extraído do livro de Eckhart Tolle, Um Mundo novo, página105, editora Sextante.