segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Os infinitos recursos do ego de autoengano

Se o aspirante estiver disposto a procurá-las, encontrará as atividades secretas do ego nos recantos mais insuspeitados, até mesmo no meio das suas mais grandiosas aspirações espirituais. O ego não quer desaparecer, e até dará as boas vindas a essa grande redução do seu campo de ação, se for esse o único meio de escapar de sua morte. Visto que, necessariamente, o ego é o agente ativo nessas tentativas de auto-aperfeiçoamento, será ele então que melhor estará na posição para se assegurar de que elas terminem numa aparente vitória sobre si mesmo, mas que não será uma vitória real. Esta, só poderá ser alcançada ao se confrontá-lo diretamente e, sob a inspiração da Graça Divina, aniquilá-lo de forma direta; isso será algo completamente diferente de confrontar e eliminar qualquer uma das inúmeras e variadas expressões de fraquezas e faltas que ele apresenta. De modo algum são elas a mesma coisa. Tudo isso são extensões dele, mas o ego é que é a raiz de tudo.


Por isso, quando o aspirante se cansa dessa interminável batalha do Caminho Longo (as intermináveis confrontações com as suas limitações e falhas), batalha essa do eu com sua própria natureza inferior, a qual, mal uma manifestação dela seja vencida, já reaparece ela em outra. Também, quando esse aspirante cansa de enganar a si mesmo, pensando estar vivendo exultantes realizações dentro do Caminho Breve (o Caminho Direto – onde ele se volta somente para o Propósito, para o Eu Superior, sem mais pôr a atenção em tais extensões do Caminho Longo), ele estará pronto para tentar o último e definitivo recurso. Aqui, após um prolongado tempo, o aspirante finalmente chega ao cerne do ego, no evento da completa rendição deste, onde não dará mais realidade aos seus inumeráveis subterfúgios – os quais podem ser feios, como a inveja, ou atraentes, como a virtude.


Por Paul Brunton, em Notebook 4, Capítulo 4

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O Despertar

O Despertar constitui uma mudança na consciência, em que o pensamento e a consciência se separam. Para a maior parte das pessoas, não é um acontecimento, mas um processo pelo qual passam. Mesmo as raras pessoas que experimentam um Despertar repentino, dramático e aparentemente irreversível continuam a ter de passar por um processo, no qual o novo estado de consciência penetra gradualmente em tudo o que fazem e o transforma, passando assim a fazer parte integrante das suas vidas.

Em vez de nos perdermos nos nossos pensamentos, quando despertamos, reconhecemo-nos como consciência que subjaz ao pensamento. Este deixa de ser uma atividade autônoma de interesse próprio que nos domina e que comanda a nossa vida. A consciência enfraquece o domínio do pensamento. Em vez de o pensamento comandar a nossa vida, fica ao serviço da consciência. A consciência consiste na ligação consciente à inteligência universal. Um sinônimo desta palavra é Presença: consciência sem pensamento.

Eckhart Tolle

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Devido à tendência humana para perpetuar antigas emoções, quase todas as pessoas carregam no seu campo energético uma acumulação de dor emocional antiga, a que dou o nome de «corpo de dor».
Porém, podemos parar de acrescentar coisas ao corpo de dor que já possuímos. Podemos aprender a quebrar o hábito de acumular e perpetuar antigas emoções batendo as nossas asas, metaforicamente falando, e abstendo-nos de viver mentalmente no passado, quer algo se tenha passado ontem quer
há trinta anos. Podemos aprender a manter as situações ou os acontecimentos vivos nas nossas mentes, mas a voltar a focar a nossa atenção continuamente no momento presente primitivo e intemporal, em vez de estarmos presos aos filmes que elaboramos mentalmente. Então, é a nossa própria Presença que se torna a nossa identidade, em vez dos nossos pensamentos e emoções.
Nada do que possa ter acontecido no passado nos pode impedir de estarmos presentes agora; e se passado não nos pode impedir de estarmos presentes agora, que poder tem ele?

Eckhart Tolle
Um Novo Mundo, pág. 119
A verdadeira salvação é satisfação, paz, vida em toda sua plenitude. É ser quem somos, sentir dentro de nós o bem que não tem opositores, a alegria do Ser que não depende de nada que esteja fora de nós. Não é sentida como uma experiência passageira, mas como uma presença permanente. Na linguagem dos que creem em Deus é "conhecer Deus", não como algo externo a nós, mas sim como a nossa essência mais profunda. A verdadeira salvação consiste em conhecermos a nós mesmos como parte inseparável da Vida Única, livre do tempo e da forma, de onde se origina tudo o que existe.
A verdadeira salvação é um estado de liberdade - do medo, do sofrimento, de uma sensação de insuficiência e de falta de alguma coisa e, portanto, de todos os desejos, necessidades, cobiça e dependência. É libertar-se do pensamento compulsivo, da negatividade e, acima de tudo, do passado e do futuro como uma necessidade psicológica. A  nossa mente está dizendo que, do jeito que as coisas estão agora, não vamos conseguir chegar lá. Tem de acontecer alguma coisa, ou temos de nos tornar isso ou aquilo. Ela está dizendo, na verdade, que precisamos do tempo, que precisamos encontrar, negociar, fazer, conseguir, adquirir, compreender ou nos tornar alguém, antes do nos sentirmos livres e satisfeitos. Vemos o tempo como um meio de salvação, quando, na verdade, ele é o grande obstáculo para a salvação. Imaginamos que não podemos chegar lá a partir do ponto em que estamos ou de quem somos neste momento, porque não nos sentimos ainda completos ou bons o bastante. Mas a verdade é que o aqui e agora é o único ponto de partida para poder chegar lá. Encontramos Deus no momento em que descobrimos que não precisamos procurar Deus. Portanto, não existe apenas um caminho para a salvação. Várias circunstâncias podem ser usadas, não é necessário uma em particular. Entretanto só existe um ponto de acesso: o Agora. Não existe salvação longe deste momento. Você está só, sem uma companhia? Acesse o Agora a aprtir da sua solidão. Você tem um relacionamento? Acesse o Agora a partir desse relacionamento.
Não existe nada que possamos fazer, ou obter, que nos aproxime mais da salvação do que o momento presente. Não podemos fazer isso no futuro. Ou fazemos agora ou simplesmente não fazemos.
✍️Eckhart Tolle - O Poder do Agora
💖A Alma em Terapia
Você se sente culpado por algo que fez - ou deixou de fazer - no passado? Uma coisa é certa: você agiu de acordo com o nível de consciência ou de inconsciência que tinha na época. Se estivesse mais alerta, mais consciente, teria agido de outra maneira.

A culpa é outra forma que o ego tem para criar uma identidade. Para o ego não importa que essa identidade seja negativa ou positiva. O que você fez ou deixou de fazer foi uma manifestação de inconsciência, que é natural da condição humana. Mas o ego personifica a situação e diz "Eu fiz tal coisa" e assim cria uma imagem de si mesmo como "ruim, falho e insuficiente".

A História mostra que os seres humanos cometeram inúmeros atos violentos, cruéis ou prejudiciais contra os outros e continuam a cometê-los. Será que todos os seres humanos devem ser condenados? Será que são todos culpados? Ou será que esses atos são apenas expressões de inconsciência, um estágio no processo de evolução do qual estamos nos libertando?

As palavras de Cristo "Perdoai-os, Senhor, pois eles não sabem o que fazem" podem ser usadas em relação a você.

Eckhart Tolle
O Poder do Silêncio.