quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Funcionamos sempre dentro do domínio do conhecido, e o conhecimento está acompanhado pela ignorância, porque não há completo conhecimento acerca de nada.

J. Krishnamurti.

"Minha vida foi singularmente pobre em acontecimentos exteriores. Sobre estes não posso dizer muito, pois se me afiguram ocos e desprovidos de consistência. Eu só me posso compreender à luz dos acontecimentos interiores. São estes que constituem a peculiaridade de minha vida e é deles que trata minha autobiografia." 

Carl Gustav Jung

Que libertação perceber que a "voz na minha cabeça" não é quem eu sou.

Quem sou eu então?

Aquele que vê isso!

Eckhart Tolle

Tenha atenção a qualquer sinal de infelicidade dentro de si mesmo, sob qualquer forma: pode ser o corpo de dor a despertar. Esta situação pode assumir a forma de irritação, impaciência, humor sombrio, um desejo de magoar, raiva, ira, depressão, uma necessidade de haver algum dramatismo no seu relacionamento, etc. Impeça esta situação no momento em que desperta do seu estado adormecido.

O corpo de dor quer sobreviver, tal como qualquer outra entidade que exista, só podendo fazê-lo se conseguir que você se identifique com ele de maneira inconsciente. Depois pode surgir, controlar você, «tornar-se» você e viver através de si.

Precisa de conseguir o seu «alimento» através de você. Alimentar-se-á de qualquer experiência que ecoe o seu próprio género de energia, qualquer coisa que gere mais dor sob qualquer forma: raiva, destruição, ódio, pesar, dramatismo emocional, violência e até doença. Assim, o corpo de dor, depois de se apoderar de você, criará uma situação na sua vida que reflete a própria frequência energética para se alimentar dela. A dor só pode alimentar-se da dor. A dor não pode alimentar-se da alegria. Considere-a bastante indigesta.

Eckhart Tolle

A Prática do Poder do Agora 

ps: o corpo de dor é um campo energético criado pelo acúmulo de  emoções negativas, que quer se estabelecer como "identidade",  confundindo-se com o próprio ego.

Eckhart Tolle

 A impermanência não é uma ideia, não é uma noção, mas antes uma visão que penetra [na realidade]. 

Muitos de nós tentam desesperadamente agarrar-se a uma qualquer noção de estabilidade ou permanência. 

Ficamos ansiosos quando ouvimos os ensinamentos sobre a impermanência. 

Mas a impermanência não é totalmente negativa, ela pode ser também positiva. 

Todas as coisas são impermanentes, incluindo a injustiça, a pobreza, a poluição e o aquecimento global. 

Na nossa vida existe o desentendimento, a violência, o conflito, o desespero, mas todas estas coisas são, também elas, impermanentes, e como tal podem ser transformadas se tivermos a visão penetrante de como viver no momento presente.

Thich Nhat Hanh.

Quando o ego está em guerra, saiba que isso não passa de uma ilusão que está lutando para sobreviver. Essa ilusão pensa ser nós. A princípio, não é fácil estarmos lá como testemunhas, no estado de presença, sobretudo quando o ego se encontra nessa situação ou quando um padrão emocional do passado é ativado. No entanto, depois que sentimos o gosto dessa experiência, nosso poder de atingir o estado de presença começa a crescer e o ego perde o domínio que tem sobre nós. E, assim, chega à nossa vida um poder que é muito maior do que o ego, maior do que a mente. Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis. A consciência é o poder oculto dentro do momento presente. É por isso que podemos chamá-la de presença. O propósito supremo da existência humana, isto é, de cada um de nós, é trazer esse poder ao mundo. E é também por isso que nossa libertação do ego não pode ser transformada numa meta a ser atingida em algum ponto no futuro. Somente a presença é capaz de nos libertar dele, pois só podemos estar presentes agora – e não ontem nem amanhã. Apenas ela consegue desfazer o passado em nós e assim transformar nosso estado de consciência.

Eckhart Tolle

 


Sensitividade

Ter sensitividade significa estar consciente do que acontece a nós, e não necessariamente do que acontece ao redor de nós. Em geral somos sensíveis ao que estamos expostos normalmente, ao mundo externo. Assim, por exemplo, ouvimos tudo claramente, e, se apenas cai uma colher, a meditação é perturbada. Porém, à medida que a atenção se interioriza, a sensitividade à realidade interior aumenta, e nenhum barulho nos perturba mais. De modo que a sensitividade é boa, mas causará problemas se persistirmos apegados ao mundo externo.

Quando eu comecei a meditar, muitas coisas me perturbavam. Uma colher que caía parecia uma explosão. Eu ficava irritado, me levantava e ia embora. Na Índia isso é comum! Só que, desse modo, se perde a meditação. Então perguntei a Babuji: «O que devo fazer?» E Ele disse: «Ignore isso tudo».

Porém, o problema é que, por um lado ficamos mais sensitivos, e, por outro, devemos ignorar tudo. Como é possível? Quando ficamos mais atentos ao que está dentro de nós.

Tenha interesse! Interesse na vida interna. Eu notei que quando fui capaz de voltar a minha atenção para dentro, a sensitividade se desenvolvia mais rapidamente. E, à medida que a sensitividade aumentava, a atração pela vida interior aumentava.

E descobri o terceiro estágio: sempre que eu estava absorvido interiormente, também ficava mais consciente do que acontecia exteriormente, o que é preciso. Essa é a definição do sahaj samadhi. O notável era que, embora permanecendo sensível ao exterior, eu estava mais sensível ao interior. E então, o que eu ouvisse lá fora não me perturbava mais.

Quando nos aprofundamos cada vez mais na vida interior, essas perturbações, na verdade, nos ajudam a nos aprofundar mais.

Então descobri o que talvez seja o último estágio: de que esses barulhos geram uma espécie de milagre. É quando começamos a olhar o mundo exterior numa espécie de admiração. E o meu Mestre Babuji dizia que esse é o começo da condição divina. Sem curiosidade, sem indulgência, sem a  presença do prazer, mas apenas num senso de admiração, de que tudo evoca a nossa admiração, porque tudo é a Criação de Deus.

De modo que, ao invés de nos perturbarmos, agora olhamos tudo com admiração. É o que se denomina de estado de inocência original, no qual tudo gera admiração. Não há mais perturbação, nem aborrecimento, nem cobiça. Tudo o que vemos é maravilhoso. Dizem que é a condição com que Deus olha, de dentro de você, a Sua própria Criação, e se admira: «Eu criei tantas coisas belas?» O Gita diz que o único sentido que permanece na pessoa que chegou à perfeição espiritual, é o senso de admiração.

Os sistemas de alarme contra fumaça muitas vezes são sensíveis demais, e então são desligados, porque quando as pessoas fumam, esses sistemas desencadeiam o alarme. Contudo, a sensitividade não deve ser desligada. Ao contrário, nós temos que refiná-la sempre, a fim de aperfeiçoá-la. Na viagem espiritual, volte-a para dentro.

Antigamente, a Estrela Polar era importante na navegação para fixar o Norte. Nós necessitamos de um objeto no qual ligamos a nossa sensitividade, a fim de fixar o nosso rumo. E as coisas externas que desviam a nossa atenção momentaneamente, ao invés de nos perturbar, nos ajudarão a corrigir o nosso caminho para chegarmos mais rapidamente à destinação.

É isso.

(Trechos de De Coração a Coração, vol. III)