quinta-feira, 26 de maio de 2011

As muitas faces do ego

Um ego que quer alguma coisa do outro - e que ego não deseja isso - em geral representa um tipo de papel para satisfazer suas “necessidades”, que podem ser: ganhos materiais, sensação de gratificação, sejam física ou psicológica. Em geral, a pessoa não tem consciência dos papéis que representam. Elas são esses papéis. Alguns deles são sutis, enquanto outros são óbvios, exceto para quem os interpreta. Há aqueles criados com o único objetivo de atrair a atenção de alguém.
O ego prospera quando angaria a atenção dos outros, porque ele é, acima de tudo, uma energia psíquica. Como não sabe que a origem de toda energia está dentro da pessoa, ele a procura externamente. Porém, sua busca não é pela atenção sem forma - a presença - e sim pela atenção numa forma, como reconhecimento, elogio e admiração. Certas vezes, só o fato de ser notado de alguma maneira já vale como reconhecimento de sua existência.
Texto extraído do livro de Eckhart Tolle, Um Mundo Novo, página 79, Editora Sextante

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Uma relação autêntica

Uma relação autentica é aquela que não é dominada pelo ego, que está sempre voltada para a construção de sua imagem e para a busca do eu. Em um relacionamento genuíno, há um fluxo de atenção plena e receptiva quem é dirigido à outra pessoa, e nele não cabe nenhum outro querer. Essa atenção plena a presença pré requisito para todo relacionamento autentico. O ego age sempre da seguinte forma; ou quer alguma coisa ou, se acredita que não existe nada para obter do outro, assume um estado de profunda indiferença e não se preocupa com ele. Assim, os três estados predominantes dos relacionamentos egoicos são: o querer, o querer insatisfeito (raiva, ressentimento, acusação, queixa) e a indiferença.

Texto extraído do livro Um Mundo Novo, de Eckhart Tolle, página 78, Editora Sextante

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Todas as estruturas são instáveis (continuação)

A emoção subjacente que governa todas as atividades do ego é o medo. O medo de não ser ninguém, o medo da não existência, o medo da morte. Todas as ações, enfim, destinam-se a eliminar esse temor. No entanto o máximo que o ego consegue fazer é encobri-lo temporariamente, seja com um relacionamento íntimo, a aquisição de um novo bem ou tendo um bom desempenho numa coisa ou noutra. A ilusão nunca nos satisfaz. Apenas a verdade de quem nós somos, se compreendida, nos libertará.
Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias. Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante.

Texto extraído do livro, Um Novo Mundo de Eckhart Tolle, página 75, Editora Sextante

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Todas as estruturas são instáveis

Seja qual for a forma que assuma, a motivação inconsciente por trás do ego é fortalecer a imagem de quem nós pensamos que somos, o eu- fantasma que passa existir quando o eu pensamento - uma enorme bênção, assim como uma grande maldição - começa a dominar e a obscurecer a simples, e ainda assim profunda, alegria da conectividade com o Ser, a Origem, Deus. Independentemente do comportamento que o ego manifeste, a força motivadora oculta é sempre a mesma: a incessante de necessidade de aparecer, ser especial, estar no controle, ter poder, ganhar a atenção. E é claro, a necessidade de experimentar uma sensação de isolamento, ou seja, de oposição, de ter inimigos.

O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto, um sentimento de “ainda não é o bastante”, de insuficiência e falta, que precisa ser atendido. Ela usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem sucedido, nunca fica satisfeito por muito tempo. Em geral,  vive frustrado com seus objetivos - na maior parte do tempo, a lacuna entre "eu quero" e "o que acontece" torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia.

Texto extraído do livro de Eckhart Tolle, Um Mundo Novo, página 74, Editora Sextante

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Estar certo e tornar o outro errado

Queixar-se, assim como encontrar erros nos outros ou assumir uma atitude reativa, fortalece o sentido de limite e de separação característico do ego e do qual ele depende para sobreviver, mas todas essas ações também reforçam de outra maneira, dando lhe uma sensação de superioridade que o faz se expandir. Talvez não fique claro de imediato de que modo as queixas - por exemplo, sobre trânsito, políticos, incompetência, ex-cônjuge - podem nos proporcionar esse sentimento de superioridade. E há uma explicação para isso. Quando nos queixamos, subentende-se que estamos certos, enquanto a pessoa ou situação da qual reclamamos ou à qual reagimos está errada.
Nada fortalece mais o ego do que estar certo. Isso o identifica com a posição mental - uma perspectiva, uma opinião, um julgamento, uma história. Obviamente, para termos razão, é necessário que alguém esteja errado. Assim, o ego adora apontar a falha para que possa mostrar que está certo. Em outras palavras: precisamos fazer com que os outros estejam equivocados para nos sentir mais forte que somos. Assim como uma pessoa, também uma situação pode ser considerada errada por meio de queixas e de algum tipo de reação, atitudes que deixam subentendida a idéia isso não deveria estar acontecendo. Estarmos certos nos coloca numa posição de superioridade moral imaginada em relação à pessoa ou à situação que está sendo julgada. É esse sentimento de superioridade que o ego adora e por meio do qual se destaca.
Texto extraído do livro Um Mundo Novo, de Eckhart Tolle, página 63, editora Sextante