sexta-feira, 29 de junho de 2012

Como o corpo de dor se alimenta do conflito

Se houver outras pessoas por perto, em geral nosso parceiro ou nossa parceira ou um parente, o corpo de dor tentará provocá-los, levá-los ao limite, como se diz - para que possa se nutrir do conflito que resultará disso. Os corpos de dor adoram relacionamentos íntimos  e famílias por que é deles que retiram a maior parte do alimento. É difícil resistirmos ao corpo de dor de alguém que estava determinado a suscitar uma reação da nossa parte. Instintivamente, ele conhece nossos pontos mais fracos, mais vulneráveis. Se não for bem-sucedido da primeira vez, tentará de novo seguidas vezes, é  emoção pura procurando mais emoção. O corpo de dor da outra pessoa quer despertar o nosso para que os dois corpos de dor se energizem mutuamente.
Muitos relacionamentos são marcados por episódios violentos e destrutivos envolvendo o corpo de dor. Esses enfrentamentos costumam ocorrer em intervalos regulares. Para uma criança pequena, é uma dor quase insuportável ter que testemunhar a agressividade emocional dos corpos de dor dos pais, embora essa seja a sina de milhões de crianças em todo o mundo, o pesadelo da sua existência cotidiana. Essa é também uma das principais maneiras de se transmitir o corpo de dor humano de uma geração à outra. Depois de cada incidente desse tipo, os parceiros se reconciliam e se estabelece uma fase de paz relativa que terá a duração que o ego permitir.
Texto extraído do livro Um Mundo Novo, de Eckhart Tolle, editora Sextante, página 131

terça-feira, 5 de junho de 2012

Como o corpo de dor se alimenta de pensamentos (continuação)

Não é que sejamos incapazes de deter o trem dos pensamentos negativos – o mais provável é que nos falte vontade de interromper o seu curso. Isso acontece porque, nesse ponto, o corpo de dor está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser  nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos. Na verdade, a voz corrente na nossa cabeça torna-se a voz dele. E ela assume o diálogo interior. Um círculo vicioso se estabelece: todo pensamento nutre o corpo de dor, que, por sua vez, produz mais pensamentos. Em algum momento, após algumas horas ou até mesmo depois de poucos dias, ele estará realimentado e retornará ao seu estado latente, deixando para trás um organismo exaurido e um corpo físico muito mais suscetível à doença. Se ele lhe parece um parasita psíquico, você está certo. É exatamente o que ele é.
Texto extraído do livro de Eckhart Tolle, Um Mundo Novo, editora Sextante, página 131