sexta-feira, 19 de março de 2021

"Pare de buscar no exterior por restos de prazer ou satisfação, por validação, segurança ou amor. Você tem um tesouro no interior que é infinitamente maior do que qualquer coisa que o mundo possa oferecer."


Eckhart Tolle

quinta-feira, 18 de março de 2021

Seis aspectos da vida que não deveríamos revelar a ninguém, segundo os ensinamentos budistas


Ensinaram-nos que confiar em alguém é bom, obviamente se a pessoa que escolhemos é adequada para ouvir os nossos segredos ou nossos planos. Mas a filosofia oriental tem outra opinião sobre isso; ela diz que não devemos falar sobre algumas coisas, independentemente da relação que existe. Dizer em voz alta algumas coisas não só pode atrair de alguma forma as energias negativas geradas pela inveja e maldade das pessoas, mas também podem reduzir diretamente a nossa motivação. Aqui estão seis fatos que na visão da filosofia oriental, aconselham a não revelar. 

1. Os limites do seu corpo: Cada um de nós tem um limite em relação ao corpo. O limite pode incluir dor, tolerância ao stress ou, porque não, por exemplo ao álcool também. Saber os limites de uma pessoa pode ser algo que pode transformar-se em vantagem. Nós devemos ser os únicos a conhecer o nosso corpo e sua resistência.

2. Planos futuros: Quantas vezes não podemos esperar para contar sobre um projeto para um amigo ou familiar? De acordo com a filosofia oriental, não é bom revelar projetos futuros para terceiros. Da conversa podem surgir discussões que levam à frustração e à perda de motivação. Não só isso, revelar alguma ideia futura pode dar origem à inveja de alguém que pode impedir a sua realização.

3. Problemas pessoais: Sair com alguém numa alguma situação particularmente cheia de stress é certamente benéfico, mas também é bom limitar o desabafo aos fatos realmente sérios. Acima de tudo, escrevê-los nas redes sociais é inútil, senão para alimentar a visão distorcida de pessoas que talvez leiam o que escrevemos sem nos conhecer realmente.

4. Ações de caridade: Fazer o bem deve ser uma vocação e dar uma satisfação exclusivamente pessoal. Como costumamos dizer, a caridade é feita em silêncio, para evitar passar como alguém que quer elogios.

5. A sua opinião sobre os outros: Uma pessoa feliz nunca fala mal dos outros, porque não precisa disso e porque não se beneficia disso. Se vês o lado negativo de uma pessoa, é melhor debater diretamente com ela ou ficar calado e evitar conversas ou boatos inúteis. 

6. A sua coragem. Alguns aspectos da nossa personalidade não se descrevem em palavras, mas devemos demonstrar. Para dizer que és corajoso, leal ou confiável, deixe o tempo mostrar; o respeito pelas ações e não do que elas dizem.

 O "não" reativo e habitual fortalece o ego, o "eu" autocentrado. O "sim" o enfraquece. Seu ego não é capaz de sobreviver à entrega.

Eckhart Tolle

segunda-feira, 15 de março de 2021

 J. Krishnamurti Online

The brain is conditioned to save itself, to safeguard itself, to live in safety, because if it has no protection, if it is not secure, it cannot function. It can function neurotically, it can function contradictorily, and therefore in conflict. Where there is conflict, there is no security. So the brain, needing security, seeks it in the very conflict it has created for itself. It seeks it in neurotic habits, in beliefs, in dogmas, in formulas, in ideals, in which it thinks it has security. But by observing it, you see that there is no security in any of them. You discover there is no security in the idea of God, in the idea of a perfect state, in relationship between one another, in belief, in dogma, in knowledge, in experience, and so on. There is no security. Therefore the truth of insecurity comes to it, and the truth of insecurity gives it security.


from Dialogue with Donald Ingram Smith in Rajghat, 1 December 1969

Será que a calma e o silêncio são apenas a ausência de barulho e de conteúdo? Não, a calma e o silêncio são a própria inteligência, a consciência básica da qual provêm todas as formas de vida. 

A forma de vida que você pensa que é vem dessa consciência e é sustentada por ela.

Essa consciência é a essência das galáxias mais complexas e das folhas mais simples. É a essência de todas as flores, árvores, pássaros e demais formas de vida.

A calma é a única coisa no mundo que não tem forma. Na verdade, ela não é uma coisa nem pertence a este mundo.

Quando você olha num estado de calma para uma árvore ou uma pessoa, quem está olhando? É algo mais profundo do que você. 

A consciência está olhando para a sua própria criação.

A Bíblia diz que Deus criou o mundo e viu que era bom. É isso que você vê quando olha num estado de calma, sem pensar em nada.

Eckhart Tolle

O Poder do Silêncio

sexta-feira, 12 de março de 2021

“RELACIONAMENTOS” (Parte 4 final)

“O relacionamento humano pode ser um inferno. Ou pode ser um grande exercício espiritual. Quando você observa uma pessoa e sente muito amor por ela, ou quando contempla a beleza da natureza e algo dentro de você reage profundamente, feche os olhos um instante e sinta a essência desse amor ou dessa beleza no seu interior, inseparável do que você é, da sua verdadeira natureza. 

A forma externa é um reflexo temporário do que você é por dentro, na sua essência. Por isso o amor e a beleza nunca nos abandonam, embora todas as formas externas um dia acabem. 

Como é sua relação com o mundo dos objetos, com as inúmeras coisas que o cercam e que você usa diariamente? A cadeira onde você senta, o carro que dirige, a xícara onde toma seu café? Como é que você os vê e sente? 

Eles são apenas um meio para atingir alguma coisa, ou, de vez em quando, você reconhece a existência deles, o ser deles, e Ihes dá atenção, mesmo que por pouco tempo? 

Quando você se apega aos objetos, quando você os usa para valorizar-se ante os outros e aos seus próprios olhos, a preocupação com os objetos pode dominar toda a sua vida. Quando se identifica com as coisas, você não as aprecia pelo que são, pois está se vendo nelas. Quando você aprecia um objeto pelo que ele é, quando toma conhecimento da existência dele sem fazer qualquer projeção mental, você se sente grato por ele existir. 

Pode também sentir que ele não é um objeto inanimado, apesar de parecer assim para nossos cinco sentidos. Os cientistas comprovam que, a nível molecular, cada objeto é um campo de energia pulsante. Se você desenvolve uma apreciação pelo reino das coisas desprendida do ego, o mundo à sua volta adquire vida de uma forma que você não é capaz sequer de imaginar com a mente. 

Quando encontra alguém, por mais rápido que seja o encontro, você dá toda a sua atenção ao ser dessa pessoa e, assim, a reconhece? Ou você reduz a pessoa a um meio para atingir um fim, uma mera obrigação ou uma função? Que tipo de tratamento você dá à caixa do supermercado, ao manobrista do estacionamento, ao sapateiro, ao balconista, ao gari que limpa a sua rua? 

Basta um instante de atenção. Quando você os olha ou escuta o que eles dizem, estabelece-se uma calma silenciosa que dura dois segundos, talvez um pouco mais. Esse tempo é suficiente para que surja algo mais real do que os papéis que geralmente exercemos e com os quais nos identificamos. Todos os papéis fazem parte da consciência condicionada que é a mente humana. 

Aquilo que emerge do ato de atenção é o descondicionado – a pessoa que você é em sua essência, além do nome e do corpo. Você deixa de seguir um roteiro e se torna real. Quando essa dimensão emerge de dentro de você, o mesmo ocorre com a pessoa com quem você se encontra. Porque, como sabemos, não há outra pessoa. Você está sempre encontrando a si mesmo”


Eckhart Tolle - Trecho do livro “O Poder Do Silêncio” Capítulo 8

quinta-feira, 11 de março de 2021

“RELACIONAMENTOS” (Parte 3)

“Ouvir com verdadeira atenção é outra forma de trazer calma ao relacionamento. Quando você realmente ouve o que o outro tem a dizer, a calma surge e se torna parte essencial do relacionamento. Mas ouvir com atenção é uma habilidade rara. Em geral, as pessoas concentram a maior parte de sua atenção no que estão pensando. Na melhor das hipóteses ficam avaliando as palavras do outro ou apenas usam o que o outro diz para falar de suas próprias experiências. 

Ou então não ouvem nada, pois estão perdidas nos próprios pensamentos. Ouvir com atenção é muito mais do que escutar. Ouvir com atenção é estar alerta, é abrir um espaço em que as palavras são acolhidas. As palavras se tornam então secundárias, podendo ou não fazer sentido. 

Bem mais importante do que aquilo que você está ouvindo é o ato em si de ouvir, o espaço de presença consciente que surge à medida que você ouve. Esse espaço é um campo unificador feito de atenção em que você encontra a outra pessoa sem as barreiras separadoras criadas pelos conceitos do pensamento. A outra pessoa deixa de ser o "outro". Neste espaço, você e ela se tornam uma só consciência. 

Você enfrenta problemas frequentes e crises em seus relacionamentos mais íntimos? É comum que pequenas discórdias se transformem em discussões violentas e gerem sofrimento? Na origem dessas experiências se encontram os padrões básicos do "eu" autocentrado: a necessidade de estar com a razão e, é claro, de que o outro esteja errado - ou seja, a identificação com modelos criados pela mente. 

O ego também necessita estar sempre em conflito com alguém ou com alguma coisa para fortalecer a sensação de separação entre o "eu" e o "outro" sem a qual ele não consegue sobreviver. Há também a dor acumulada do passado que você e todo ser humano trazem consigo. Essa dor vem tanto do próprio passado quanto do sofrimento coletivo da humanidade, que remonta a milhares de séculos. 

Esse "corpo sofrido" é um campo de energia que está dentro de você e que esporadicamente se apossa do seu ser, porque precisa se reabastecer de mais sofrimento emocional. O "corpo sofrido" vai tentar controlar seus pensamentos e fazer com que se tornem profundamente negativos. Ele gosta dos seus pensamentos negativos, pois eles ecoam o que ele emite e assim o nutrem. 

O "corpo sofrido" vai também provocar reações emocionais negativas nas pessoas mais próximas a você – principalmente no seu companheiro ou na sua companheira - para se nutrir das crises que surgirão e do sofrimento que elas trazem. Como é que você pode se libertar dessa profunda e inconsciente identificação emocional com o sofrimento, capaz de criar tanta dor em sua vida? 

Tome consciência da dor. Tome consciência de que você não é esse sofrimento e essa dor. Reconheça o que eles são: uma dor do passado. Tome conhecimento da dor em você ou em seu parceiro. Quando conseguir romper sua identificação inconsciente com essa dor do passado - quando souber que você não é a dor -, quando conseguir observá-la dentro de si mesmo, deixará de alimentá-la e aos poucos ela irá se enfraquecendo”


Eckhart Tolle - Trecho do livro “O Poder Do Silêncio” Capítulo 8

quarta-feira, 10 de março de 2021

“RELACIONAMENTOS” (Parte 2)

Quando você acolhe qualquer pessoa que entra no espaço do Agora como um convidado nobre, quando permite que ela seja como é, a pessoa começa a mudar. Para conhecer outro ser humano em sua essência você não precisa saber nada a respeito do passado ou da história dele. Confundimos o saber a respeito de alguém com um conhecimento mais profundo que não é baseado em conceitos. 

Saber a respeito e conhecer são coisas totalmente diversas. Uma está ligada à forma; a outra, à ausência de forma. Uma age através do pensamento; a outra, através da calma e do silêncio. Saber a respeito de alguém ajuda por motivos práticos. Nesse sentido, não podemos prescindir de saber a respeito da pessoa com quem nos relacionamos. Mas, quando essa é a única característica de uma relação, ela fica muito limitadora e até destrutiva. 

Os pensamentos e conceitos criam uma barreira artificial, uma separação entre as pessoas. Suas interações não ficam presas ao ser, mas à mente. Sem as barreiras dos conceitos criados pela mente, o amor se torna naturalmente presente em todas as relações humanas. A maioria dos relacionamentos humanos se restringe à troca de palavras - o reino do pensamento. E fundamental trazer um pouco de silêncio e calma, sobretudo aos seus relacionamentos íntimos. 

Nenhum relacionamento pode existir sem a sensação de espaço que vem com o silêncio e a calma. Meditar ou passar um tempo juntos, em silêncio, na natureza, por exemplo. Se as duas pessoas forem caminhar, ou mesmo se ficarem sentadas uma ao lado da outra no carro ou em casa, elas irão se sentir bem por estarem juntas, em silêncio e na calma. 

Nem o silêncio nem a calma precisam ser criados. Eles já estão presentes, embora perturbados e obscurecidos pelo barulho da mente. Basta abrir-se para eles. Se falta um espaço de silêncio e calma, o relacionamento será dominado pela mente e correrá o risco de ser invadido por problemas e conflitos. Se há silêncio e calma, eles se tornam capazes de dominar qualquer coisa”


Eckhart Tolle - Trecho do livro “O Poder Do Silêncio” Capítulo 8

Pratique primeiro, com as pequenas coisas. O alarme do carro, o ladrar do cão, os gritos das crianças, o engarrafamento. Em lugar de ter uma parede de resistência por dentro, que é atingida constante e dolorosamente por coisas que «não deviam estar a acontecer», deixe que tudo passe através de si. 

Alguém lhe diz algo rude ou com intenção de o magoar. Em vez de entrar numa reação inconsciente ou em negativismos, por exemplo com ataques, defesas ou recuos, deixe que passe imediatamente através de si. Não ofereça resistência. É como se não existisse ninguém a quem magoar. Isso é perdão. Deste modo, você torna-se invulnerável. 

Pode dizer na mesma a essa pessoa que o comportamento que está a ter é inaceitável, se decidir que assim é, mas essa pessoa já não tem o poder de controlar o seu estado interior. Nessa altura, você tem o controlo sobre si mesmo e não é controlado por outra pessoa. E também não é a sua mente que o dirige. 

Seja o alarme de um carro, uma pessoa mal-educada, uma enchente, um tremor de terra ou a perda de todos os seus bens, o mecanismo de resistência é o mesmo. 


Eckhart Tolle 


A Prática do Poder do Agora, pág. 106

terça-feira, 9 de março de 2021

“RELACIONAMENTOS” (Parte 1)

“Com que rapidez formamos uma opinião e chegamos a uma conclusão sobre as pessoas! O "eu" autocentrado gosta de avaliar os outros, dar-lhes uma identidade e rotulá-los. 

Todo ser humano foi condicionado a pensar e agir de determinada forma - condicionado por sua herança genética, pelas experiências da infância e pelo ambiente cultural em que vive. Tudo isso não mostra o que a pessoa é, mas como parece ser. Quando você julga alguém, confunde os modelos condicionados produzidos pela mente com o que a pessoa é. 

Nossos julgamentos também têm origem em padrões inconscientes e condicionados. Você dá aos outros uma identidade criada por esses padrões, e essa falsa identidade se transforma numa prisão tanto para aqueles que você julga quanto para você mesmo. Deixar de julgar não significa deixar de ver o que as pessoas fazem. Significa que você reconhece seus comportamentos como uma forma de condicionamento que você vê e aceita tal como é. 

Não é a partir desses comportamentos que você constrói uma identidade para as pessoas. Deixar de julgar liberta tanto você quanto o outro de se identificar com o condicionamento, com a forma, com a mente. Não é mais o ego que conduz os relacionamentos. Enquanto o ego dominar sua vida, a maioria de seus pensamentos, emoções e ações virá do desejo e do medo. Isso fará você querer ou temer alguma coisa que possa vir da outra pessoa. 

O que você quer dos outros pode ser prazer, vantagem material, reconhecimento, elogio, atenção, ou fortalecimento da sua identidade, quando se compara achando que sabe ou tem mais do que os outros. Você teme que ocorra o contrário que o outro seja, tenha ou saiba mais do que você - e que isso possa de alguma forma diminuir a ideia que você faz de si mesmo. 

Quando concentra sua atenção no presente - em vez de usar o presente como um meio para atingir um fim -, você ultrapassa o ego e a compulsão inconsciente de usar as pessoas como meios para valorizar-se ao se comparar com elas. Quando dá total atenção à pessoa com quem está interagindo, você elimina o passado e o futuro do relacionamento - exceto nas situações que exigem medidas práticas. 

Ao ficar totalmente presente com qualquer pessoa, você se desapega da identidade que criou para ela. Essa identidade é fruto da sua interpretação de quem a pessoa é e do que fez no passado. Ao agir assim, você se torna capaz de relacionar-se sem os mecanismos autocentrados de desejo e medo. O segredo dos relacionamentos é a atenção, que nada mais é do que calma alerta. 

Como é maravilhoso poder ultrapassar o querer e o medo nos seus relacionamentos. O amor não quer nem teme nada. Se o passado de uma pessoa fosse o seu passado, se a dor dessa pessoa fosse a sua dor, se o nível de consciência dela fosse o seu, você pensaria e agiria exatamente como ela. Ao compreender isso, fica mais fácil perdoar, desenvolver a compaixão e alcançar a paz. O ego não gosta de ouvir isso, porque sem poder reagir e julgar ele se enfraquece”


Eckhart Tolle - Trecho do livro “O Poder Do Silêncio” Capítulo 8