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A raiva é um bom exemplo para começarmos, uma vez que é uma emoção muito
forte e as pessoas, efectivamente, não gostam da presença dela por muito tempo.
O Buda disse que a raiva é como pegar uma brasa quente com a intenção de
jogá-la em outra pessoa, só que quem realmente se magoa é quem atira a brasa.
Há momentos em que é muito natural ficarmos bravos, sendo insalubre não
expressarmos ou não permitirmos sentir essa emoção forte. Mas da mesma forma
que é natural para a mente passar pela experiência da raiva, é bom
desenvolvermos consciência sobre a real utilidade dela, nos perguntando,
também, se em algum momento traz boas sensações ou, pelo contrário, sempre
causa dor, tristeza e inquietude.
À medida que começamos a desenvolver a concentração mental e nos
capacitamos para uma introspecção que permite contemplar o tipo de pessoa que
somos, começamos a nos distanciar e a encontrar o espaço necessário para
observar a raiva, em vez de sermos imediatamente tomados por ela assim que
ocorre. Se não aprendemos a treinar a mente, uma emoção como a raiva facilmente
controla-nos, principalmente quando estamos distraídos. Podemos até saber que
reagimos mal a certos acontecimentos, mas sentimo-nos impotentes quando a raiva
surge; no calor da reacção a uma situação particular não há tempo para
verificar de onde ela realmente veio. Por isso, a princípio, não devemos tentar
suprimir a raiva quando ela surge, mas apenas começar a reconhecê-la e observar
suas fontes e características. Porque é que certos acontecimentos parecem
apertar os nossos botões, enquanto outros não o fazem? O que é mesmo que nos
afecta? A grosseria, por exemplo? Ou será que quando alguém age mal,
sentimo-nos afrontados pelas suas palavras ou acções? Como é que ele fez isso?
Como é que ele me disse aquilo? Ou talvez seja porque sentimo-nos
impotentes em certas situações: quando o motorista do autocarro vai
embora logo que conseguimos chegar na paragem; ou quando o chefe esquece-nos na
hora de conceder a promoção para a qual nos esforçamos tanto; quando o banco
envia uma carta para informar que os juros do empréstimo vão subir; ou, ainda,
quando estamos exaustos e nosso filho adolescente decide sair para a noitada
até alta madrugada e o esperamos acordados, muito preocupados. Todos esses
factores podem ser gatilhos para a raiva.
Essa é a vida no mundo real e nem sempre segue os nossos planos. Alguns
dias parece que o mundo inteiro está contra nós. Mas é o que fazemos com a
nossa raiva que faz a diferença entre apanhar a brasa quente e nos queimarmos
ou permitir que ela esfrie. Assim, se um colega de trabalho ou nosso parceiro
fez algo que tornou nosso dia muito mais difícil, ficamos furiosos, podemos
gritar e espernear de raiva. Mas que resposta isso normalmente dá? É possível
que também fiquem com raiva ou se sintam mal e envergonhados pelo que fizeram a
ponto de ficarem tristes e irem embora. Por outro lado, podemos ficar em
silêncio, ainda que a raiva permaneça tão evidente que qualquer um a percebe.
Seguimos segurando a brasa quente. Quando a sentirmos queimar, talvez seja mais
fácil largá-la, em vez de jogá-la em alguém – só, então, será possível
examiná-la e tentar articular sua existência. Esse é o momento de nos perguntar
por que sentimos a raiva e de onde ela veio. Talvez haja uma combinação de factores
externos e, possivelmente, condições internas também façam parte – tais como o
cansaço ou exigir padrões muito perfeccionistas, querer que as coisas sejam
exactamente do nosso jeito.
Encontrar um equilíbrio entre falar de forma útil e assertiva ou usar as
palavras como facas contra outra pessoa nem sempre é fácil, mas vale a
pena praticar em nome das nossas próprias mentes serenas e da felicidade
daqueles próximos a nós. A princípio pode ser muito difícil controlar o
temperamento, mas quando começamos a ver os resultados – a paz mental obtida,
como nos damos melhor com a família, amigos e colegas e até com os estranhos na
rua – fica claro que vale a pena praticar.
Algumas práticas explicadas são particularmente úteis para nos soltarmos
da raiva. Simplesmente focarmos na respiração quando sentimos a raiva queimando
– essa prática pode esfriar as chamas, reduzindo os batimentos cardíacos e
acalmando o corpo para acalmar a mente.
A Meditação da Apreciação nos ajuda a reestruturar a mente com uma
perspectiva mais positiva perante a vida; ao nos focarmos nos pontos altos,
temos mais resiliência perante os baixos e, assim, talvez fiquemos menos
propensos a nos agarrar tão prontamente à raiva.
A Contemplação da Mudança também é muito útil já que, à medida que seguimos
com o movimento da correnteza, passamos mais ao largo dos obstáculos ou os
encaramos no nosso ritmo, em vez de nos chocarmos contra as pedras.
Também é bom nos apressarmos menos durante o dia, de forma que tenhamos
mais tempo e espaço para deixar a raiva arrefecer. Uma sugestão para acordarmos
cedo pela manhã é fazê-lo gradualmente, cada dia alguns minutos mais cedo, em
vez de tentar acordar bem mais cedo de uma só vez. Dormir uma boa noite de sono
também nos deixa revitalizados e, muitas vezes, menos agitados.
Passarmos algum tempo olhando para dentro, contemplando a nossa
identidade, ajuda-nos a explorar a raiva de acordo com a sua origem interna, em
vez de meramente colocarmos rótulos nas diversas condições externas que nos
“deixam” com raiva. Será que somos pessoas que gostam das coisas exactamente do
nosso jeito? Se for o caso, observarmos as situações sob diversas perspectivas
pode ser de grande utilidade. Ou será que as nossas frustrações nos deixam mais
susceptíveis à raiva? Por exemplo, podemos estar infelizes com o nosso
trabalho, mas, quando exploramos essa situação, podemos perceber porque estamos
sempre reclamando do nosso dia de trabalho; ou se temos ansiedade em relação às
nossas finanças, ficamos desproporcionalmente fulos quando a nossa companheira
compra um par novo de sapatos.
Excerto do Livro “A Mente Serena”, de Sua Eminência. Gyalwa
Dokhampa
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Soltando-se da Raiva | Gyalwa Dokhampa
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Seis dicas para sua Mente pensar de Maneira Positiva e Amiga
“Valorize
o seu dia a dia, pois nada se repete. Viva o aqui e agora e seja mais tranquilo e equilibrado”
O poder do pensamento positivo deveria ter sido ensinado para nós, quando ainda crianças, mas sempre é tempo de mudar para melhor. Para essa transformação é necessário vontade interior, motivação e disciplina para treinar a sua mente a pensar de maneira positiva e amiga.
Sabemos que não é fácil conseguir mudar os nossos padrões mentais negativos de muitos anos. Sem saber o que estávamos fazendo, fomos alimentando pensamentos de culpa, raiva, frustrações, ressentimentos. Isso foi gerando baixa auto-estima, medos e angústias.
A mente negativa foi criando “armadilhas” e a pessoa tornou-se prisioneira dentro da própria mente: perdeu espontaneidade, alegria, criatividade e confiança em si mesma. Quem permitiu que a mente negativa lhe dominasse, vive num contínuo estado de ansiedade, agitação e pressa. Isso causando insônia, sentimentos de não conseguir ser feliz no amor, de não conseguir educar bem os filhos ou progredir na profissão.
Geralmente, quando não suporta mais esses sofrimentos criados pela mente, procuram terapia e tomam remédios que apenas aliviam, por alguns instantes, as dores da alma, como depressão, tristeza e pânico.
Quando tomamos conhecimento da Ciência do Poder do Pensamento e dos sábios ensinamentos do Yoga, precisamos aplicá-los em nossa vida. É importante ler como lidar e educar a mente. Porém, não basta apenas ler . Para alcançar o equilíbrio emocional e mental, estes ensinamentos precisam tornar-se vivos dentro de nós.
Contemple essas dicas de ouro e comece aplicá-las no seu dia a dia:1. Escolha pensar sempre de forma positiva. Desenvolva a vigilância sobre seus pensamentos. E, quando perceber que um pensamento negativo surgiu na sua mente, substitua-o, imediatamente, por um pensamento oposto. Para isso, precisa de muita disciplina mental. Não se consegue isso da noite para o dia. Assim como um atleta ou um pianista fazem treinamentos contínuos, treine muito com determinação e perseverança.
2. Não alimente preocupações, pensando no pior, afirmando que está sendo realista. Compreenda que isso gera sofrimentos inúteis para si e para quem está ao seu redor. Ser positivo não é ser optimista. Ser positivo é ter uma mente clara, com discernimento, sem nutrir expectativas negativas.
3. Pare de se queixar. Quando reclama, atrai para si mesmo a carga negativa das suas próprias palavras. Como um íman, atrai tudo aquilo que não deseja. A maioria das coisas que não dão certo, começa a materializar-se quando lamentamos.
4. Para mudar o hábito de reclamar, precisa de policiar as suas palavras e o seu tom de voz. Comece a observar-se e ficará surpreso como, diariamente, reclama muitas vezes. Reclama do tempo, do Governo, do país. Queixa-se do marido que deixou a toalha na cama, da mulher que gastou demais, do filho que não fez o que queria, da empregada que não trabalhou da maneira como explicou, dos amigos, dos vizinhos, dos acontecimentos etc. Dessa maneira, passa o seu dia irritando-se e sentindo-se descontente.
5. Aceite o que lhe acontece no momento presente. Entenda que nada acontece por acaso. Estamos colhendo agora o fruto de nossos pensamentos, palavras e acções. Não se revolte com os factos e pessoas. Extraia lições do que lhe acontece, e com paciência e coragem, supere os seus obstáculos e desafios.
6. Não dê importância às pequenas coisas e não se aborreça com facilidade. Não perca tempo com preocupações que trazem doenças e tiram o seu equilíbrio e paz mental. Quando irrita-se ou quando explode de raiva, envenena o seu corpo e sua mente. Em vez disso, desenvolva tolerância e compreensão.
7. Perceba como fala com voz áspera e ríspida, até com as pessoas que mais gosta. Veja como isso gera desarmonia dentro de si, no seu ambiente de trabalho, no seu lar, nas suas amizades.
8. Quando for necessário reclamar, faça isso sem ofender o outro, com uma voz mais baixa e suave. Isso requer treinamento da mente e evolução espiritual, pois reflectimos o que temos dentro de nós.
9. No inicio dessa aprendizagem de não reclamar, pode até reclamar na sua mente, mas procure não expressar, com palavras, o seu descontentamento. Isso não é engolir sapo ou ser submisso, mas dominar a mente negativa e descontente.
10. Pare de querer controlar os outros ou a vida, porque isso é impossível. Ninguém muda ninguém e nem pode controlar os acontecimentos, porque tudo é impermanente. Podemos e devemos, sim, controlar a nossa mente e mudar a nós mesmos.
11. Desenvolva o sentimento de gratidão que é o antídoto para não reclamar. Em vez de ficar lamentando, conte as suas bênçãos, e veja como é abençoado em muitos aspectos.
12. Liberte-se do sentimento de culpa., que cria uma prisão interna. Em vez de se culpar, aprenda com seus erros. Desenvolva a humildade de reconhecer os seus erros e peça desculpas. Às vezes, nem errou e culpa-se sem motivo. Assim, faça o melhor que puder, libertando-se das cobranças e do perfeccionismo.
13. Não alimente medos imaginários. O medo é a maior causa dos nossos sofrimentos internos. Perceba que eles são criados pela mente negativa e, que quando os enfrenta, eles vão desaparecendo como bolhas de sabão, porque não têm consistência, são apenas ilusões do ego negativo.
14. Tenha disciplina na fala, evitando comentários maldosos sobre os outros. Evite brigas e discussões, pois isso desarmoniza a si, sua família e o ambiente à sua volta.
15. A meditação regular e o relaxamento são ferramentas essenciais para acalmar a mente e conseguir superar traumas e mágoas.
16. Entenda que o ansioso vive pensando no futuro. A pessoa com raiva vive no passado. Desse modo, desenvolva a habilidade de estar presente. Não perca o presente, esse momento tão precioso, pensando nas expectativas do futuro ou nas lembranças do passado. Valorize o seu dia a dia, pois nada se repete. Viva o aqui e agora e seja mais tranquilo e equilibrado. Fique em paz! Namastê! Deus em mim saúda Deus em si!
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Calendário da vida
Existe uma história adorável sobre o tempo. Dois judeus idosos que não se viam há cinqüenta anos se encontram, aos poucos reconhecem um ao outro, e se abraçam.
Dirigem-se ao apartamento de um deles para falar sobre os dias do passado.
A conversa leva horas. Anoitece. Um pergunta ao outro: "Olhe para seu relógio. Que horas são?"
"Não tenho relógio de pulso" diz o segundo.
"Então olhe para o relógio de parede." "Não tenho relógio de parede."
"Então, como sabe as horas?"
"Você vê aquela trombeta no canto? É por ela que vejo as horas."
"Está louco" – diz o primeiro. "Como pode saber as horas com uma trombeta?"
"Vou lhe mostrar." Ele apanha o instrumento, abre a janela e toca a trombeta, produzindo um som ensurdecedor. Trinta segundos depois, um vizinho furioso grita. "São duas e meia da madrugada, e você está tocando trombeta?" O homem volta-se para o amigo e diz: "Viu? É assim que se sabe a hora com uma trombeta!"
Grosseiramente falando, é como o mais notável Rabi da Idade Média, Moshe Maimônides, explicava por que tocamos o shofar em Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, que celebramos por um período de seis dias. Segundo ele, é o toque de despertar soado por D'us, Sua maneira de nos perguntar: "Você sabe que horas são? A vida que Eu lhe dei, como você a tem usado? Para si mesmo, ou para o próximo? Para ferir ou para curar? O que fez com o ano que Me pediu doze meses atrás? Qual será sua anotação no Livro da Vida?"
Passamos pela vida, diz Maimônides, meio adormecidos durante a maior parte do tempo.
Dia após dia num entorpecimento. Fazemos os movimentos de acordar, trabalhar, comer, relaxar, mais conscientes dos minutos que dos anos. Sentimos a tirania do relógio, mas esquecemos o calendário da vida. À medida que os anos passam, muitas vezes renunciamos aos sonhos de nossa juventude e nos acomodamos numa rotina que oscila entre a fuga do tédio denominada trabalho e a fuga ao trabalho chamada lazer. Às vezes é preciso uma sacudidela – um acidente de carro, uma doença, uma crise – para nos fazer perguntar: Quem sou eu e por que estou aqui? O que estou fazendo com minha vida?
É parte da beleza do Judaísmo que em Rosh Hashaná, sejamos ordenados a fazer exatamente esta pergunta. O Tempo é o maior presente concedido por D'us e um dos poucos que Ele nos dá em termos iguais. Sejamos ricos ou pobres, poderosos ou indefesos, existem apenas vinte e quatro horas num dia, e um total de anos curto demais.
Para cada um de nós (como para Moshê) haverá um futuro que não veremos, um Rio Jordão que jamais cruzaremos, uma Terra Prometida na qual jamais pisaremos. Portanto, temos de fazer escolhas, e a que têm mais conseqüências é como usamos o nosso tempo.
Uma vez feita, a pergunta quase que responde a si mesma. Ninguém jamais morreu desejando ter passado mais tempo no escritório ou lamentando não ter possuído um celular mais moderno. Muitos dos desejos dos quais corremos atrás são artificialmente arquitetados, e muitas das coisas para as quais não temos tempo – refeições em família, longas caminhadas com nossos filhos, ajudar a estranhos, dizer obrigado a nosso cônjuge e a D'us – são a essência da vida bem vivida.
Uma vez ao ano precisamos do toque daquela trombeta para lembrar do tempo e usá-lo para fazer uma diferença, para ser uma bênção, para amar.
por Rabino Chefe da Inglaterra, Professor Jonathan Renato Sacks
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
A Cabala
Quando somos capazes de estabelecer um relacionamento com uma forma
angélica pessoal,
conseguimos ter acesso a domínios angelicais, que são realidades que
transcendem nossa própria realidade. Assim que aprendemos a entrar neste
estado mental, lentamente alteramos nosso senso de tempo e de
identidade individual. Por exemplo, nossa vivencia explorando
domínios celestiais- especialmente em contato com nossos entes queridos
que já morreram - rapidamente abre novas possibilidades para o
significado da vida eterna.
Empregando técnicas de visualizações, nossa perspectiva normal usual,
da realidade pode
ser alterada de maneira fantástica. Podemos ficar mais sintonizados com
aspectos sutis da criação. Algumas pessoas vivenciam isso indicando
criaturas invisíveis como fadas, gnomos e elfos. Outros se tornam
sensíveis às mensagens sutis da natureza que chamam
nossa atenção para algo mais do que está à vista. Ainda outros entram em
sintonia com as nuances que aparecem na vida diária e que podem revelar
significados ocultos em acontecimentos que, para outros, seriam
considerados banais. Estes são fenômenos místicos.
Nossa consciência deles pode ser alimentada por qualquer prática
espiritual que nos abra para as possibilidades de experiências que
transcendem a mente.
Extraído do livro A Cabala, do Rabino David Cooper, página 151
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
O que é a Mente?
Extraído de Transforme sua vida por Venerável Geshe Kelsang Gyatso.
Alguns pensam que a mente é o cérebro ou qualquer outra parte ou função do corpo, mas não é verdade. O cérebro é um objeto físico que pode ser visto, fotografado ou submetido a uma cirurgia.
A mente, por outro lado, não é algo material. Ela não pode ser vista com os olhos nem fotografada ou operada. Portanto, o cérebro não é a mente, mas apenas uma parte do corpo.
Não há nada dentro do corpo que possa ser identificado como sendo a nossa mente, porque o nosso corpo e mente são entidades diferentes. Por exemplo, às vezes o nosso corpo está descontraído e imóvel, e a mente em plena atividade, movendo-se rapidamente de um objeto para outro. Isso indica que o nosso corpo e mente não são a mesma entidade.
Nas escrituras budistas, o nosso corpo é comparado a uma hospedaria, e a mente, ao hóspede que ali reside. Quando morremos, a mente deixa o corpo e vai para uma próxima vida, como um hóspede que sai de uma hospedaria e vai para outro lugar.
Se a mente não é o cérebro nem outra parte qualquer do corpo, o que ela é? A mente é um continuum sem forma, que tem como função perceber e entender os objetos. Sendo, por natureza, algo sem forma, ou não corpóreo, ela não pode ser obstruída por objetos físicos.
É muito importante conseguir distinguir estados mentais agitados de estados mentais pacíficos. Os estados mentais que perturbam a nossa paz interior, como raiva, inveja e apego desejoso, são denominados ‘delusões’ e são as principais causas de todo o nosso sofrimento.
Talvez pensemos que nosso sofrimento seja provocado por outras pessoas, pela falta de condições materiais ou pela sociedade, mas, na realidade, ele vem dos nossos próprios estados mentais deludidos. A essência da prática espiritual consiste em reduzir e, por fim, erradicar totalmente nossas delusões, substituindo-as por paz interior permanente. Esse é o verdadeiro significado da nossa vida humana.
O ponto essencial que aprendemos ao entender a mente é que a libertação do sofrimento não pode ser encontrada fora da mente. A libertação permanente só pode ser alcançada por meio da purificação da mente. Sendo assim, se quisermos nos livrar dos problemas e alcançar paz duradoura e felicidade, precisamos de aumentar o conhecimento e compreensão da nossa mente.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
As Quatro Leis Espirituais Ensinadas na Índia
A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa".
- Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso
redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e
avançar em cada situação.
A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido".
- Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter
sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse
feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu
foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi
para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das
situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.
A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo".
- Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos
prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas
acontecem.
E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina".
- Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa
evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a
experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele
vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados
para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.
O QUE É E COMO SE CONSTRÓI “O CORPO DE DOR”
Para a maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos- o pensamento acontece em nós.
“Eu
penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a
digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a
circulação acontece, o pensamento acontece.
A
voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê
dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez
que a mente é condicionada pelo passado, então somos
forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é
carma.
O
ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser
nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do
corpo ao que essa voz diz.
A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções.
A
voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser.
Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas
não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo-
a ameaça vem da mente.
O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso.
Medo,
ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso,
ciúme, inveja- tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o
coração, o sistema imunológico, a digestão, a
produção de hormônios, e assim por diante. Até mesmo a medicina
tradicional, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está
começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e
as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso
corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e,
indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número
de indivíduos com quem nunca nos encontramos. Existe um termo genérico
para todas as emoções negativas: INFELICIDADE.
Por
causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo
mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores
emocionais, que chamamos de “corpo de dor”.
O
“corpo de dor” não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem
capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses
são compatíveis com seu próprio campo de energia.
Não
é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos- o
mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso. Isso
acontece porque, nesse ponto, o “corpo de dor” está
vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é
prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.
Nos
relacionamentos íntimos, os “corpos de dor” costumam ser espertos o
bastante para permanecer discretos até que as duas pessoas comecem a
viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se
a ficar unidas pelo resto da vida.
Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o “corpo de dor” dessa pessoa.
Pode
ser um verdadeiro choque quando- talvez não muito tempo depois de
começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel – vemos que
nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade
totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos
acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor
importância.
A
essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela
pessoa – a que nunca tínhamos visto antes- e se cometemos um grande erro
quando a escolhemos como companheira. Na realidade,
essa não é sua face genuína, apenas o “corpo de dor” que assumiu
temporariamente o controle.
Seria
difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um
“corpo de dor”, no entanto seria sensato escolher alguém que não tivesse
um “corpo de dor” tão denso. O começo da nossa libertação
do “corpo de dor” está primeiramente na compreensão de que o temos.
É
nossa presença consciente que rompe a identificação com o “corpo de
dor”. Quando não nos identificamos mais com ele, o “corpo de dor”
torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim,
não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles. Na maioria
dos casos, ele não se dissipa imediatamente.
No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia.
A energia que estava presa no “corpo de dor” muda sua freqüência vibracional e é convertida em “presença”.
ECKHART TOLLE
domingo, 19 de julho de 2015
Não há despertar de consciência sem dor
Não há despertar de consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão".( Carl Gustav Jung)
terça-feira, 7 de julho de 2015
Além da Expectativa e do Medo | Pema Chodron
A primeira Nobre Verdade do Buda é que, quando sentimos sofrimento, não significa que alguma coisa está errada. Que alívio! Finalmente alguém disse a verdade! Sofrimento é parte da vida e nós não precisamos achar que ele está acontecendo porque nós, pessoalmente, fizemos a escolha errada. No entanto, na verdade quando sentimos o sofrimento, acabamos achando que algo está errado. Como estamos viciados em esperança, sentimos que podemos abafar nossas experiências, ou avivá-las, ou modificá-las de alguma forma. E continuamos sofrendo muito.
No mundo da esperança e do medo, nós sempre temos que trocar de canal, trocar a temperatura, trocar de música. Porque algo está ficando desconfortável, algo está ficando impaciente, algo está começando a doer. E nós continuamos buscando alternativas. Em um estado mental não-teísta, abandonar a esperança é uma afirmação. O começo do começo.
Esperança e medo vêm da sensação de que nos falta algo. Eles vêm de uma sensação de pobreza. Nós não conseguimos simplesmente relaxar em nós mesmos. Nós agarramo-nos à esperança. E a esperança rouba-nos o momento presente. Sentimos que alguém sabe o que está acontecendo, mas que há algo faltando em nós, algo está em falta no nosso mundo.
Em vez de deixar a negatividade tirar o melhor de nós, podemos reconhecer que agora mesmo nos sentimos mal. Essa é a atitude corajosa a tomar. Podemos cheirar o mal que nos sentimos, podemos sentir! Qual é a textura, a cor e a forma? Podemos explorar a natureza do sentimento. Podemos conhecer a natureza do desgosto, vergonha, e não acreditar que há algo errado nisso. Podemos abandonar a esperança fundamental de que existe um eu melhor, que um dia vai emergir. Nós não podemos simplesmente pular por cima de nós mesmos, como se não estivéssemos lá. É melhor dar uma olhada direta em nossas esperanças e medos. Então, uma espécie de confiança, a nossa sanidade básica, surge.
É aí que entra a renúncia. Renúncia da esperança de que nossas experiências podem ser diferentes. Renúncia da esperança de que nós podemos ser melhores. As regras monásticas budistas que recomendam renunciar ao álcool, renunciar ao sexo e assim por diante, não estão indicando que essas coisas são inerentemente más ou imorais. Mas que nós as usamos como babysitters. Nós usamos como um caminho para escapar. Nós usamos para tentar obter conforto e para nos distrair.
Na verdade, o que renunciamos é à esperança tenaz de que podemos ser salvos de quem somos. Renúncia é um ensinamento que nos inspira a investigar o que está acontecendo cada vez que nos agarramos a alguma coisa porque nós não conseguimos aguentar e encarar o que está por vir.
Se a esperança e o medo são dois lados da mesma moeda, então a desesperança e a coragem também são. Se desejarmos abandonar a esperança para que a insegurança e a dor sejam exterminadas, então podemos conseguir a coragem para relaxar na falta de chão firme de nossa situação. Esse é o primeiro passo no Caminho.
Sem esperança é o terreno básico. De outra forma estaremos fazendo essa jornada na esperança de obter segurança. Se fizermos a jornada para obter segurança, estaremos nos perdendo completamente da meta.
Nós podemos fazer as nossas práticas de meditação com o objectivo de obter segurança; nós podemos estudar os ensinamentos com o objectivo de obter segurança; nós podemos seguir todas as directrizes e instruções com o objectivo de obter segurança; mas isso só vai nos conduzir à decepção e à dor. Podemos poupar muito tempo a nós mesmos levando esta mensagem muito a sério agora mesmo: comece a jornada sem esperança de obter um chão firme onde pisar. Comece sem esperança.
Toda a ansiedade, toda a insatisfação, todas as razões para esperar que nossas experiências possam ser diferentes, estão enraizadas no nosso medo da morte. O medo da morte está sempre no cenário de fundo. É como disse o mestre Zen Suzuki: “A vida é como entrar num barco prestes a zarpar e afundar”. Mas é muito difícil, não importa o quanto escutemos, acreditar na nossa própria morte. Muitas práticas espirituais tentam nos encorajar a levar nossa morte a sério, mas é impressionante como é difícil permitir que isso aconteça. A única coisa na vida que nós realmente podemos contar, é incrivelmente distante para todos nós. Nós não chegamos ao ponto de dizer: , eu não vou morrer! Porque é claro que nós sabemos que vamos. Mas definitivamente é mais tarde, essa é a maior esperança.
Somos criados numa cultura que teme a morte e a esconde de nós. No entanto, nós a experimentamos o tempo todo! Nós a experimentamos na forma de decepção, na forma de coisas que não funcionam. Nós a experimentamos na forma de coisas constantemente em um processo de mudança. Quando o dia acaba, quando o segundo acaba, quando respiramos, essa é a morte na vida diária. A morte na vida diária também pode ser definida como a experiência de todas as coisas que não queremos: nosso casamento não está funcionando, nosso trabalho não está satisfatório.
Ter uma relação com a morte na vida diária significa que nós começamos a ser capazes de esperar, a relaxar na insegurança, no pânico, na vergonha, nas coisas que não estão funcionando. A morte e a não esperança dão a motivação adequada. Motivação adequada para viver uma vida contemplativa e compassiva. Mas a maior parte do tempo, evitar a morte é nossa maior motivação. Nós tendemos a evitar qualquer sensação de problema. Nós sempre tentamos negar que é uma ocorrência natural que as coisas mudam. Que a areia está escorrendo entre nossos dedos. O tempo está passando. Isso é tão natural quanto a mudança das estações, e o dia se transformando em noite. Mas ficarmos velhos, ficarmos doentes, perdermos o que amamos, nós não vemos esses eventos como ocorrências naturais. Nós queremos evitar essa sensação de morte, não importa como.
Relaxar no momento actual, relaxar na falta de esperança, relaxar na morte, não resistindo ao facto de que as coisas acabam, as coisas passam, de que as coisas não têm uma substância duradoura e que tudo está mudando o tempo todo. Essa é a mensagem básica.
Excerto do livro “Quando Tudo se Desfaz” de Pema Chodron.
terça-feira, 23 de junho de 2015
A Perfeita Simplicidade do Momento
Costuma acontecer bastante que, em qualquer coisa que estejamos fazendo — sentando, andando, levantando ou deitando –, a mente frequentemente é desligada da realidade imediata e, no lugar disso, fica absorvida na conceptualização compulsiva sobre o o futuro ou o passado.
Enquanto estamos andando, pensamos sobre a chegada, e quando chegamos, pensamos na partida. Quando estamos comendo, pensamos sobre a louça e quando lavamos a louça, pensamos em ver televisão.
Essa é uma maneira bizarra de manter a mente. Não estamos conectados com a situação presente, mas estamos sempre pensando noutra coisa. Com muita frequência somos consumidos por ansiedade e desejo, arrependimentos sobre o passado e antecipação do futuro, perdendo completamente a perfeita simplicidade do momento.
B. Alan Wallace, em “Tibetan Buddhism from the Ground Up”.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
A Sintese das Antiteses - Lao-Tse
"Só temos consciência do belo, quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom, quando conhecemos o mau.
Porquanto o Ser e o Existir se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares,
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis porque o sábio age pelo não-agir. E ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza – e nada considera seu.
Tudo faz – e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos da sua atividade.
Terminada a sua obra, e está sempre no princípio.
E por isso a sua obra prospera."
Só temos consciência do bom, quando conhecemos o mau.
Porquanto o Ser e o Existir se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares,
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis porque o sábio age pelo não-agir. E ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza – e nada considera seu.
Tudo faz – e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos da sua atividade.
Terminada a sua obra, e está sempre no princípio.
E por isso a sua obra prospera."
A Síntese das Antíteses, 'Tao Te Ching' - Lao-Tsé
quarta-feira, 27 de maio de 2015
TAO – A Sabedoria do Silêncio Interno
Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.
Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi.
Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.
Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.
Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluida.
Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinivel, insondável como o TAO.
Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.
Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incômodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.
Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.
O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles.
Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afetam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.
Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.
Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.
Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO.
(Texto Taoísta)
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