No caso da maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos - o pensamento acontece em nós. A afirmação “Eu penso” implica volição. Ou seja, podemos nos pronunciar sobre o assunto, podemos fazer uma escolha mas isso ainda não é percebido pela maior parte das pessoas. "Eu penso" é um afirmação simplesmente tão falsa quanto "eu faço a digestão" ou "eu faço meu sangue circular". A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece.
A voz na cabeça tem vida própria. A maioria de nós está mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma. Quando nos identificamos com essa voz, ignoramos isso. Se soubéssemos, não seríamos mais possuídos por ela, porque a possessão só acontece de verdade quando confundimos a entidade que nos domina com quem nós somos, isto é, quando nos tornamos essa entidade.
Ao longo de milhares de anos, a mente vem intensificando seu domínio sobre a humanidade, que deixou de ser capaz de reconhecer a entidade que se apossa de nós como o não eu. Por causa dessa completa identificação com a mente, uma falta percepção do eu passa a existir - o ego. A densidade dele depende do grau em que nós - consciência - nos identificamos com a mente,com o pensamento. Pensar não é mais do que um minúsculo aspecto da totalidade da consciência,de quem somos.
Texto extraído do livro Um Mundo Novo, de Eckhart Tolle, página 116, Editora Sextante
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