segunda-feira, 25 de outubro de 2021

 "Que dia horrível." "Ele não teve a consideração de retornar a minha ligação." "Ela me rejeitou." 

Contamos histórias para nós mesmos e para os outros, em geral em tom de reclamação. 

Inconscientemente, elas servem para reforçar a noção de que nós estamos "certos" e alguém ou alguma coisa está "errado". Achar que estamos "certos" e os outros "errados" nos coloca numa posição ilusória de superioridade, e com isso fortalecemos nossa falsa noção do "eu". Criamos assim uma espécie de inimigo, porque o "eu" precisa de inimigos para definir seus limites e sua identidade. 

Julgar alguém ou algum fato é criar sofrimento para si mesmo. Somos capazes de criar todos os tipos de sofrimento para nós mesmos, mas não percebemos isso porque de certa forma esses sofrimentos satisfazem o ego. O "eu" autocentrado se sente mais confortável no conflito. 

Como a vida seria simples sem essas histórias que o pensamento cria. 

"Não fui bem recebida." "Ele não telefonou." "Eu fui lá. Ela não foi."

ECKHART TOLLE

O poder do silêncio

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